domingo, 19 de novembro de 2017

Samuel Cooper



Um dos melhores pintores ingleses de miniaturas Nasceu em Londres,  em 1609, e morreu na mesma cidade em 5 de Maio de 1672.

Sobrinho de John Hoskins, célebre pintor de miniaturas no reinado de Carlos I, foi educado pelo tio, conjuntamente com o o seu irmão Alexandre, na mesma arte. Rapidamente ultrapassou em técnica o seu mentor, o que terá provocado no tio algum ciúme. Segundo Horace Walpole o «mérito de Cooper deviam muito às obras de Van Dyck, mas podia ser visto independentemente já que tinha sido o primeiro a utilizar a pintura a óleo nas miniaturas». Os seus bustos, pintados em velino sobre cartão, são excelentes na diversidade dos tons e no tratamento do cabelo, mas o desenho do pescoço e dos ombros é muitas vezes  incorrecto, que faz pensar que é por isso que deixou por finalizar muitas obras.

Por volta de 1640, e durante muito tempo, viveu e trabalhou na Rua Henrietta, em Convent Garden, na época uma zona muito na moda, sendo referido por Samuel Pepys, o célebre escritor do diário, que era seu amigo e frequentador, como o pintor, do Café de Convent Garden. A mulher deste posou para Cooper, tendo-lhe também comprado uma miniatura de Oliver Cromwell, o Lord Protector de Inglaterra durante a República. Após a Restauração, continuou a ser solicitado. Evelyn, o outro célebre diarista da época, refere-se a ele em 1662 a desenhar a face de Carlos II para as novas moedas a cunhar. A partir de 1663 receberá uma pensão anual do rei.

Visitou a França, onde permaneceu durante algum tempo, tendo pintado retratos numa escala maior do que a habitual. Algum tempo depois passou à Holanda. Morreu em Londres, tendo sido enterrado na velha igreja de Saint Pancreas. A sua mulher, cunhada do poeta Alexander Pope, recebeu uma pensão da corte francesa.

Pintou várias vezes Cromwell, e membros da sua família, assim como membros da corte restaurada inglesa, como o rei Carlos II, a rainha D. Catarina de Bragança, o futuro Jaime II e o príncipe Rupert. 


Fonte:
The Dictionary of National Biography, founded in 1882 by George Smith
Oxford, Oxford University Press, 1998;
Encyclopedia Britannica, edição de 1911 e na Internet.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Biografia de Goya

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Paula Modersohn-Becker


Quando há uns anos a célebre actriz de cinema Demi Moore, casada então com, o não menos célebre, actor Bruce Willis, apareceu na capa da revista "Vanity Fair", nua e grávida, fotografada de lado de modo a mostrar o peito e a barriga no fim da gestação, choveram críticas negativas em muitas revistas e jornais dos Estados Unidos e nos meios mais con- servadores do mundo inteiro. Com esse gesto, ela quis combater o "tabu" da nudez aliada à gravidez e, por ser bonita e famosa, mexeu com os preconceitos sociais de muitos. Mas esta atitude de Demi Moore não foi original. Há sensivelmente um século a pintora alemã Paula Modersohn-Becker pintou diversos auto-retratos não só nua como nua e grávida ostentando orgulhosamente uma barriga de futura mãe, o que não era nada vulgar no seu tempo. Só que a pintura tinha um circuito restrito (não havia ainda Internet) e não consta que os seus nus tivessem escandalizado alguém. 
            Paula Becker nasceu numa família da alta burguesia alemã, em Dresden, em Fevereiro de 1876, terceira filha de uma irmandade de sete ir mãos. A mãe era de família aristocrática (os Bützings Löwen) e o pai nascido, em Odessa, na então Rússia, oriundo de uma família de intelectuais, cujo pai era por sua vez professor universitário. Foi esse ambiente artístico e culto que rodeou a infância de Paula Becker, que começou a mostrar, aos quatro anos, uma precoce tendência para o desenho. 
            Aos 12 anos a família passou a residir em Bremen e, aos 16, Paula Becker teve as primeiras lições de desenho com o mestre Wiegandt. Depois parte para Londres, hospedando-se em casa de uma tia, e aí frequenta, durante vários meses, a Escola de Artes. Paula percorre galerias, quer aprender muito, quer saber tudo o que se passa no meio artístico. Aos 20 anos instala-se em Berlim, em casa de um tio, e vai estudar na Escola Feminina de Artes. Não é por acaso que Berlim tem um, dos apenas dois (ou três) museus mundiais, onde as obras de mulheres estão juntas, o que facilita um estudo para os investigadores e apreciadores de arte. 
            Nesta fase da sua aprendizagem, Paula Becker sente-se fascinada com os pintores flamengos, que vê em museus, em especial Holbein e Rembrandt. Sempre na ânsia de aprender mais e mais, tem lições de retrato e paisagem. 
            A pintura que nos legou é extensa e profundamente vivida e interiorizada. Deixou cerca de 400 quadros e mais de 1000 esboços e estudos. Depois do tema maternidade, aleitamento e mãe com filho o retrato ocupa um lugar de destaque, bem como os auto retratos. Outro tema da sua preferência foram as meninas. Em segundo plano das suas preferências podemos agrupar as naturezas-mortas e paisagens. Ela foi, sem dúvida, uma das pintoras que privilegiou a mulher, como tema. 
            Em 1897, Paula Becker conheceu o pintor de paisagens Otto Modershon, que foi um dos funda dores, em 1889, com Fritz Mackersen e Hans am Ende, da colónia de artistas de Worpswede, perto de Berlim, numa povoação verdadeiramente campesina, para poderem sentir e pintar a Natureza, fugindo ao academismo e à pintora burguesa. O grupo de pintores e pintoras estava integrado na vida dos aldeões, com a sua religiosidade, trabalho e costumes. Aqui viveu Paula por alguns períodos da sua curta vida e isso é patente em várias telas e desenhos a carvão. 
            Paula pintava crianças, camponesas, jovens meninas, mulheres idosas, alguns velhos (os homens mais novos passavam o dia a trabalhar no cultivo das terras), paisagens e naturezas mortas. 
            A sua primeira exposição foi nesse ano de 1897, mas Paula Becker continuava na procura de algo mais e decidiu visitar museus em Viena, na Escandinávia e também na Suíça.Entretanto, os pais, conscientes de que a carreira de pintora era extremamente difícil para uma mulher (Paula tirara um curso de educadora entre 1893-95), sugerem-lhe que vá para governanta mas ela recusa liminarmente. Conhece, em 1898, a escultora Clara Westhoff e o grande poeta austríaco Rainer Maria Rilke e essa amizade irá perdurar para sempre. Rilke (1875-1926) teve grande influência sobre a maneira de encarar a vida de Paula Becker. Era, como muitos intelectuais da época, um homem preocupado com a morte, a pobreza e o misticismo. Ele próprio foi esporadicamente secretário de Rodin que, por sua vez inspira ao poeta novas formas de poesia. A concepção decadentista da vida, muito comum na época, fazem-no questionar o homem sem Deus e chega à conclusão de que só a criação poética o redime. Foi Rilke quem traduziu, em 1913, as célebres cartas da freira portuguesa Soror Mariana Alcoforado, mundialmente conhecida. 
            Paula expõe pela segunda vez em Bremen, em 1899. Faltava ainda uma etapa importante na sua vida - conhecer Paris capital da arte nessa época, onde afluíam pintores de todo o mundo. Ali chega no ano de 1900 e fica, fascinada. Passa horas no Louvre, percorrendo as imensas salas, deixando-se impressionar pór tudo o que vê. Milet, o pintor de temas populares e campesinos marcou-a muito. Paula arranja um pequeno estúdio onde pinta e tem como amigos Clara Westhoff - que tinha lições de escultura, com o mestre dos mestres de então - Rodin, O poeta Reiner Maria Rilker e Clara casaram em 1901, no mesmo ano em que Paula casou com Otto Modersohn (que enviuvara pouco antes). A pintora passa a assinar com o nome de Modetsohn-Becker e aproveita a viagem de núpcias para visitar diversas cidades com museus, entre outras, Munique e Praga. Sabe-se que foi um casamento de amor, e Otto apreciava muito a pintura da mulher. Isso é patente na sua frase, escrita, em 1903: "Ela é uma genuína artista, como há poucas no mundo, ela é muito rara. Ninguém a conhece, ninguém a estima. Um dia tudo isso mudará". E mudou, porque a cidade de Bremen dedicou-lhe um museu e as suas telas estão espalhadas por diversos museus do mundo. A sua sensibilidade e modernidade ali está para a posteridadeidade. 
            Paula trabalhava muitíssimo sobre cada tema e procurava ser inovadora. No seu diário conta como a tinha impressionado, numa das estadias em Paris, a pintura de Cézanne, Van Gogh e Gauguin. A sua pintura é muito e ecléctica, pois passa por várias experiências. O seu traço e o uso de cores quentes nas figuras, primordial- mente femininas, têm sempre um ar sereno e são .de grande força e beleza. O auto-retrato pin-tado em 1906 a que deu o título de "Auto-retrato com colar de âmbar" é dos mais divulgados, nos livros de pintura, e tem nítidas influências de Gauguin. Mas ela é mais autêntica e original, quanto a mim, na tela "Mãe com filho reclinados". Paula Modersohn-Becker nunca enjeitou as influências que sentiu. Os críticos de arte reconheceram-lhe o pioneirismo na arte moderna. Foi talvez a primeira pintora alemã a assimilar as correntes pós-modernistas. Embora inovadora, integra-se na corrente de pintura e escultura das suas contemporâneas, hoje também famosas, como a escultora e amiga Clara Westroff (já referida), Maria Bock e Ottilie Reylander-Bôhme, entre outras. Todas elas tinham o seu estúdio pessoal, onde pintavam sozinhas. 
            Em Paris, Paula Mendershon-Becker frequentou as duas escolas de pintura mais cotadas do tempo - a Academia de Cola Rossi e a Academia ]ulian. A "cidade-luz" foi muitas vezes o seu refúgio. Ali, onde passava períodos acompanhada da irmã Rema (que frequentava um curso de línguas), pintava dias e dias a fio. Ao contrário do que era vulgar, Paula Mendershon-Becker só saía para se encontrar com o casal Clara e Rilke, ir a museus ou a estúdios de artistas consagrados e esteve, como não podia deixar de ser no célebre "Salão dos-Independentes". Não fez vida boémia. O marido ficava na Alemanha e às vezes, com saudades, insistia para que regressasse a casa, mas ela só regressava quando tinha completado mais uma etapa da sua pintura. 
            Embora vivendo para a pintura, Paula não se alheava dos problemas sociais que a rodeavam. Sabia que as mulheres da viragem do século e início do século XX estavam a dar grandes pas- sos no sentido dos direitos cívicos (direito ao voto) e várias mulheres socialistas, encabeçadas por Clara Zetkin, viriam a tomar atitudes para essa emancipação. Porém, a pintora alemã não pôde assistir às conquistas mais significativas. Foi no ano da sua morte, no Congresso Socialis ta em Estugarda, que Clara Zetkin e Rosa Luxemburgo tiveram um papel fulcral na mudança de perspectiva do que deveria ser o papel das mu- lheres em todas as áreas da sociedade. 
            Numa antevisão, e porque desejou ser mãe, PauIa Mendershon-Becker, para sentir a maternidade "por dentro", pintou, em 1906, um auto-retrato grávida, mas só ficou à espera de bebé no ano de 1907. A filha, Matilde, nasceu no dia 2 de Novembro desse ano e o coração de Paula Mendershon-Becke parou de bater, devido a um ataque cardíaco, no dia 21 do mesmo mês. 
            Em 1900, como que numa premonição, escrevera no seu diário: "Sei que não viverei muito tem po. Mas porque é que isso há-de ser uma tristeza? Será que uma festa é mais bela por durar mais tempo? As minhas percepções são cada vez mais agudas - é como se tivessem que abarcar tudo nos poucos anos que me serão concedidos..."

Informação retirada daqui

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Georgia O'Keefe


Pintora norte-americana, nascida no Wisconsin, estudou pintura em Chicago e Nova Iorque. Enquadrada na pintura modernista tem telas onde pinta os sedutores arranha-céus que nos finais do séc. XIX encantaram também outras pintoras como Tamara de Lempika. Em 1916 conheceu o fotógrafo Alfred Stieglitz . Casariam em 1924 e Georgia começou por expor no seu atelier de Nova Iorque. As suas telas de paisagens e flores foram muito apreciadas a partir de 1928. As flores chamadas, em português, jarros são de enorme sensualidade e beleza. Georgia é muito justamente considerada uma das pintoras norte-americanas de maior sucesso do séc. XX.

Informação retirada daqui

sábado, 11 de novembro de 2017

Jean-Baptiste Debret



Pintor e desenhador francês que viveu no Brasil de 1816 a 1831.

Nasceu em Paris, em 18 de Abril de 1768; 
morreu na mesma cidade em 11 de Junho de 1848.

Estudou na Academia de Belas Artes de Paris, tendo sido discípulo de Jacques-Louis David. Continuou os estudos na Escola de Pontes e Estradas concluindo-os na Escola Politécnica.

Estreou-se no Salão de 1798 com um quadro com figuras em tamanho natural, com o título «O General Messénio Atistómeno liberto por uma rapariga», que lhe valeu a conquista do segundo prémio. Devido a este sucesso foi encarregue de trabalhos de ornamentação em edifícios públicos e de particulares. 

Integrou a Missão Artística Francesa ao Brasil, solicitada por D. João VI, organizada pelo marquês de Marialva, e dirigida por Debreton que chegou ao Rio de Janeiro em Março de 1816. No Brasil se manteve até  1831, pintando e desenhando todos os grandes momentos que levaram à independência do Brasil, assim como os primeiros anos do governo do imperador D. Pedro I.

No Brasil pintou o retrato de D. João VI, de tamanho natural e com trajes majestáticos, assim como de outros membros da família real. Pintou também o desembarque da arquiduquesa Leopoldina, mulher de D. Pedro, e primeira imperatriz do Brasil. 

Tendo recebido um atelier no novo edifício da Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro, para aí poder pintar numa grande tela a coroação imperial, ocorrida em Dezembro de 1822, reuniu oito discípulos a quem deu aulas de pintura. Desde 1820 que estava nomeado professor de pintura histórica da Academia de Belas Artes, instituição que só em 1826 começou a sua actividade. Em 1829 organizou a primeira exposição artística do Brasil, ao apresentar os trabalhos dos seus discípulos. O sucesso do acontecimento valeu-lhe ser nomeado oficial da Ordem de Cristo.

Tendo regressado a França em 1831, sendo desde 1830 membro correspondente da Academia das belas Artes do Instituto de França, publicou a partir de 1834 até 1839 uma numerosa série de gravuras na obra em 3 volumes intitulada Voyage pitoresque et historique au Brésil, ou Séjour d'un artiste français au Brésil (Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, ou Estadia dum artista francês no Brasil).

Informação retirada daqui

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Ademir Fogassa


Paranaense, veio para São Paulo em 1973, onde frequentou cursos técnicos de desenho e arquitetura. Autodidata nas artes plásticas, este empresário (dono de empresa de execução de maquetes) trabalha o mármore com sensibilidade e expressão.

Informação retirada daqui

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Biografia de Pablo Picasso

domingo, 5 de novembro de 2017

Biografia de Antonio Gaudí

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Biografia de Elizabeth Louise Vigée le Brun

Pintora francesa famosíssima. Com precoce talento, foi uma exímia retratista. Viveu na corte de França pintou inúmeras telas da malograda família de Luís XVI. Conhecemos a rainha Maria Antonieta em mais de trinta retratos de sua autoria. Viveu entre dois séculos e numa época de profundas mudanças sociais. Esteve exilada doze anos e foi convidada a pintar em diversas cortes europeias. Pertenceu a diversas Academias de Belas Artes como as de Florença, Roma, Bolonha, e Sampetersburgo. Viveu seis anos na Rússia. Está representada em praticamente todos os museus do mundo. Pintou mais de novecentas telas das quais setecentos retratos. Afável e generosa foi também uma pessoa muito estimada. Deixou diversos auto-retratos.

Biografia retirada daqui

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Biografia de El Greco, Domenikos Theotokópoulos

Pintor maneirista de origem grega que viveu em Espanha em finais do século 16 e princípios do século 17. Nasceu em Dito, Cândia [Eraklion], na ilha de Creta, em 1541;  morreu em Toledo, Espanha, a 7 de Abril de 1614.

Tendo nascido em Creta, então possessão da República de Veneza, e por isso cidadão veneziano, começou a sua instrução em Cândia, com João Gripiotis. Mais tarde, entre 1560 e 1566  instalou-se  em Veneza, tendo  provavelmente trabalhado no atelier de Ticiano, cuja técnica o influenciou. Em 1570 estava em Roma, vivendo no palácio do cardeal Alessandro Farnese. Foi admitido na Academia de São Lucas em 1572 com o nome de «Dominico Greco»,  como pintor em papel, tendo-se manifestado abertamente contra o Juízo Final de Miguel Ângelo, pintado na Capela Sistina. Tal posição valeu-lhe a antipatia do meio artístico de Roma, o que o terá levado a partir para Espanha, com a provável intenção de trabalhar nas obras do Escorial, mas passando primeiro por Veneza, segundo parece. Depois de uma curta estadia em Madrid a partir da Primavera de 1577, instalou-se em Toledo em 1578 onde viveu até à data da sua morte, com D. Jerónima de Las Cuevas, com quem nunca casou, mas de quem teve um filho que legitimou,  parecendo que não poderia casar, já que a mencionou em vários documentos, assim como no seu testamento.

A vida de El Greco foi passada em Toledo, vivendo das encomendas das igrejas e mosteiros da cidade e da província, e dando-se com humanistas conhecidos, estudiosos e clérigos. É sabido que o pintor era dono de uma cultura humanista muito vasta, tendo a sua biblioteca livros de autores Gregos e Latinos, assim como obras em Italiano e espanhol - as Vidas de Plutarco, poesia de Petrarca, Orlando Furioso de Ariosto, tratados de arquitectura de vários autores, incluindo Palladio,  e actas do Concílio de Trento.

A primeira encomenda que o pintor teve, logo que chegou a Toledo, foi um conjunto de pinturas para o altar-mor e dois altares laterais na igreja conventual de São Domingos o Velho existente na cidade. O próprio desenho dos altares foi feito por El Greco, no estilo do arquitecto veneziano Palladio. O quadro realizado para o altar-mor, a «Assunção da Virgem» marca  um novo período na vida do artista. A influência de Miguel Ângelo faz-se sentir no desenho das figuras humanas,  sendo a técnica - sobretudo o uso liberal da cor branca para salientar as figuras e os pormenores - claramente veneziana; mas a intensidade das cores e a manipulação dos contrastes é de El Greco.

A tendência do pintor para alongar a figura humana, aprendida em Miguel Ângelo, mas também em Tintoretto e Paolo Veronese, e em pintores maneiristas vai caracterizar toda a sua pintura.

A relação de El Greco com a corte de Filipe II foi muito breve e mal sucedida. Pintou dois quadros, a "Alegoria da Santa Liga" ("O Sonho de Filipe II" de 1578-79) e o "Martírio de S.Maurício" (1580-82). A última obra foi rejeitada pelo próprio rei, que encomendou outra para substituir a do pintor de Toledo.

Aquela que é considerada a sua obra prima é pintada após este fracasso, no relacionamento com a corte espanhola. "O Enterro do Conde de Orgaz" (1586-88, Igreja de São Tomé, Toledo) apresenta uma visão sobrenatural da Glória (o Céu) por cima de um impressionante conjunto de retratos que demonstram todos os aspectos da arte deste génio criador. El Greco distingue claramente o Céu e a Terra. Na parte de cima, o Céu é representado por nuvens de forma quase abstracta, e os santos são altos e com expressão fantasmagórica. Na parte de baixo, a escala e a proporção das figuras é normal. De acordo com a lenda, Santo Agostinho e Santo Estêvão aparecem miraculosamente para colocar o conde de Orgaz no túmulo, como prémio pela sua generosidade para com a Igreja. O jovem representado ao lado do corpo do conde é o filho do pintor, Jorge Manuel. Os homens, vestidos contemporaneamente, que estão presentes no funeral são membros proeminentes da sociedade toledana do século XVI. A técnica de apresentação da composição é integralmente maneirista, já que toda a acção se desenrola no primeiro plano.

De 1590 até à sua morte o número de obras pintadas é extraordinário. Sendo que algumas das suas encomendas mais importantes se realizam nos últimos 15 anos da sua vida. O que caracteriza este  período da vida de El Greco é o alongamento extremo dos corpos das figuras pintadas, como na "Adoração dos Pastores" (Museu do Prado, Madrid) pintado entre 1612 e 1614, na "Visão de São João" ou na "Imaculada Conceição" pintada de 1607 a 1613 (Museu de Santa Cruz, Toledo).

Nas três paisagens que pintou, o pintor demonstrou a sua tendência mais característica de dramatizar mais do que descrever, e no seu único quadro que tem a mitologia por assunto, o "Laokoon" de 1610-14, mostrou ter pouco respeito pela tradição clássica. 

Os seus retratos, se são menos numerosos do que as suas obras de carácter religioso, não deixam de ter a mesma qualidade. Tendo pintado personagens da Igreja, como "Frei Felix Hortensio Paravicino (1609) e o "Cardeal Don Fernando Niño de Guevara" (1600), assim como personalidades da sociedade de Toledo, como "Jeronimo de Cevallos" (1605-1610), ou o célebre "O Cavaleiro com a mão no peito" (Museu do Prado) de 1577 a 1584, e outros, todos são característicos dos meios simples com que o artista  criou caracterizações memoráveis, que o colocam numa posição proeminente enquanto retratista, ao lado de Ticiano e de Rembrandt.

El Greco não deixou escola. Após a sua morte, alguns artistas, incluindo o seu filho, realizaram cópias dos seus trabalhos, mas de muito pouca qualidade. A sua arte era demasiado pessoal para poder sobreviver, até porque o novo estilo Barroco começava a impor-se com Caravaggio e Carracci.


Fontes:
Enciclopédia Britânica: "El Greco"

Biografia retirada daqui

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