quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Biografia de Dante Gabriel Rossetti

Nasceu em Londres, Inglaterra, em 12 de Maio de 1828, e 
morreu em Birchington-on-Sea, no Kent, Inglaterra, em 9 de Abril de 1882.

Filho de Gabriel Rossetti, um controverso estudioso italiano da obra de Dante, exilado político em Londres, e de Frances Polidori, também de origem italiana, era o segundo de quatro irmãos, sendo o seu nome  original Gabriel Charles Dante Rossetti. A irmã mais velha tornou-se uma freira anglicana, tendo publicado um estudo sobre Dante; o irmão William tornou-se o historiador e arquivista do movimento Pré-Rafaelita, tendo editado os poemas do irmão; a irmã mais nova, Cristina, foi uma poeta (ou poetisa) tão famosa como o irmão.

Começou a estudar na escola secundária do King's College de Londres, de 1836 a 1841, passando por uma escola de desenho antiquada, e acabando na escola de antiguidades da Royal Academy britânica em 1845. Nessa época descobriu o pintor e poeta do século XVIII William Blake, crítico feroz do academismo na pessoa do seu contemporâneo Joshua Reynolds. Gabriel Rossetti, seguindo o seu modelo, decidiu-se a atacar a trivialidade da pintura vitoriana, sobretudo a obra de Edwin Landseer.

Discípulo de Ford Madox Brown, entrou em contacto com os «Pré-Rafaelitas» alemães, o nome por que eram conhecidos os «Nazarenos», um grupo de pintores que criaram em Viena, em 1809, uma cooperativa chamada Irmandade de São Lucas, que mais tarde foi viver para Roma. Estes criadores usavam pinturas medievais italianas e alemãs como modelos para as suas obras, tentando um regresso à pureza de estilo e de objectivos da arte anterior ao Renascimento.

Tendo como pano de fundo os grandes movimentos revolucionários de 1848, foi devido aos esforços de Rossetti que se criou nesse ano em Inglaterra a Irmandade dos Pré-Rafaelitas, formada por sete membros todos eles antigos estudantes da Royal Academy, tirando o seu irmão mais novo. O objectivo de Rossetti era vasto, dando como objectivos à Irmandade a poesia e o idealismo social, para além da pintura, que via como devendo romantizar o passado medieval, e tinha como base a obra do crítico de arte John Ruskin, Modern Painters, publicada a partir de 1843.

Foi o que mostrou nos seus quadros «A Infância de Maria», de 1848, e na «Anunciação», de 1850, de estilo simples mas de grande simbolismo. Obras que se relacionavam com o seu poema «The Blessed Damozel» publicado no 1.º número da revista pré-rafaelita «The Germ», que tinha como subtítulo «Pensamentos sobre a Natureza na Poesia, Literatura e Arte». A crítica, que Rossetti nunca aceitou bem, não lhe foi favorável e o pintor refugiou-se na aguarela, passando a ilustrar as obras de Shakespeare, Dante e Browning, o grande poeta da época vitoriana. 

Em 1854, numa época em que o grupo se começava a dissolver, Rossetti ganhou um poderoso e exigente patrono em Ruskin, o seu mentor original, o que lhe granjeou uma nova vaga de admiração, atraindo ao grupo os estudantes de Oxford, Edward Burne-Jones e William Morris, com os quais iniciou a segunda fase do movimento Pré-Rafaelita. O grupo dedicou-se, a partir de 1856 e com base nas obras de Thomas Malory, Morte Darthur, e de Tennyson, Idylls of the King, a recriar a época do rei Artur. Ligado a este entusiasmo romântico pelo passado lendário, que divergia substancialmente do ideal inicial de um realismo de acordo com a natureza, estava a vontade de reformar as artes decorativas. O novo grupo publicou o The Oxford and Cambridge Magazine para divulgar as suas posições

O contrato para a realização de um tríptico para a catedral de Llandaff, em Cardiff no País de Gales, pintado a partir de 1858, levou-o a aceitar decorar o salão de debates do edifício da Oxford Union, a associação de estudantes da Universidade de Oxford, criada para ser um local de debate livre, fora da organização constrangedora dos Colégios universitários. A tarefa, conhecida pela «Campanha Alegre» (Jovial Campaign) acabou em desastre devido à ignorância das técnicas de pintura moral, mas mostrou ao grupo que os seus ideais se podiam alargar às artes oficinais.

Em 1860 Gabriel Rossetti casou com Elizabeth Siddal, que tendo começado a posar para toda a Irmandade, acabou por se tornar seu modelo exclusivo. O casamento acabou em tragédia, em 1862, quando Siddal ingeriu uma dose excessiva e fatal de láudano - um medicamento à base de ópio. No caixão da mulher Rossetti colocou, num gesto romântico e insensato, toda a sua obra poética.

Após a morte da mulher Rossetti mudou não só de zona residencial, mudando-se das áreas ribeirinhas de Londres para a mais aristocrática zona de Chelsea, como de estilo, que se tornou mais sensual e estilizado. Os temas literários foram abandonados pelos retratos a óleo de belezas mundanas. A nova fase, de que «The Blessed Damozel», pintado entre 1871 e 1879, é um dos mais perfeitos exemplos, tornou-o muito popular entre os coleccionadores, tornando-o um homem abastado.

Mas a publicação em 1870 dos seus poemas, recuperados anteriormente pela exumação da mulher, bem recebidos de início, provocaram um violento ataque do crítico literário Robert Buchanan, acusando a poesia de Rossetti de indecente, o que juntos aos remorsos, ao álcool e ao cloral, ingerido para debelar as persistentes insónias, terá provocado o colapso de Rossetti em 1872.

Dante Gabriel recuperou a saúde, retomando a pintura e a escrita de poesia, mas ficou muito debilitado, tendo passando, até 1874, bastante tempo em Oxford, tendo ao lado Jane Morris, mulher de William.

Até à sua morte, no Domingo de Páscoa de 1882, Rossetti publicou uma edição muito revista e alrgada dos seus poemas, assim como um livro com baladas e sonetos, ambos publicados em 1881.

Fonte:
Enciclopédia Britânica

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Biografia de Domingos António de Sequeira

n.     10 de março de 1768.
f.      7 de março de 1837.

Ilustre e distinto artista, o pintor mais notável não só de Portugal como de toda a Europa, e talvez o maior do seu tempo. Nasceu em Belém a 10 de março de 1768; faleceu em Roma a 7 de março de 1837.  

Era filho de pais humildes, António do Espírito Santo e Rosa Maria de Lima. Foi do seu padrinho, Domingos de Sequeira Chaves, que recebeu o nome próprio, e que mais tarde adoptou o apelido. Desde muito criança manifestou uma viva inteligência e uma grande vocação artística. O pai vendo aquele talento que alvorecia tão auspicioso; desejou dar-lhe uma posição mais elevada e estudos superiores, destinando-o para médico, mas afinal, por conselho dos que admiravam a vocação tão decidida que a criança manifestava para o desenho, condescendeu em a aproveitar.

Fundando-se em 1781 uma aula régia de desenho, o futuro pintor matriculou-se, sendo um dos primeiros alunos, a 2 de dezembro do mesmo ano, figurando no respectivo livro da matricula com o nome de Domingos António do Espírito Santo, apelido de seu pai. Foi seu mestre Joaquim Manuel da Rocha, pintor medíocre, mas zeloso e muito afeiçoado aos discípulos, entre os quais se contavam os dois maiores pintores portugueses, Domingos António de Sequeira e Vieira Portuense. Estudou ali durante cinco anos, sendo por vezes premiado, passando depois à aula de pintura do professor Francisco José da Mocha, mais conhecido por Francisco de Setúbal, que também pouco o poderia guiar, porque apesar de ser pintor de grande talento, era muito leviano e pouco sabia. Alcançara, porém, grande fama, e recebia muitas encomendas, e para as satisfazer, aproveitava os discípulos para o auxiliarem. Dois anos, quando muito, seguiu Domingos António de Sequeira as lições deste professor.

O marquês de Marialva, que morava em Belém e era vizinho e apreciador do talento do jovem artista, recomendou-o à rainha D. Maria I, e obteve lhe uma pensão de 300$000 reis do régio bolsinho, para que fosse a Roma, a cidade das artes, aperfeiçoar-se, onde já se encontravam alguns artistas estudando, mandados pelo intendente de policia, Pina Manique. Constituíam estes estudantes uma Academia Portuguesa, organizada pelo modelo da Academia Francesa da vila Medicis. Quando Sequeira chegou a Roma em 1788, foi hospedar-se na casa do embaixador português, no palácio Cimarra, indo depois viver na casa dum seu amigo chamado Cometti. Nas aulas da Academia Portuguesa continuou a mostrar se aluno distintíssimo, e logo em 1789 alcançou o segundo prémio. Pouco tempo, porém, esteve seguindo o estudo oficial da Academia, e aproveitando a faculdade que era permitida aos alunos de escolherem professor, foi seguir as lições de António Cavallucci, um dos mestres da nova escola de pintura, que afastando se completamente da escola do convencionalismo, pretendia aproximar-se da natureza, não directamente ainda, mas procurando na arte antiga os seus principais modelos. Sequeira trabalhava, e trabalhou muito, e frequentes vezes sentiu o desalento invadi-lo, ao ver que tinha de refazer completamente os seus estudos para se acomodar com a disciplina severa do seu novo mestre, mas os quadros, que então pintou, revelavam um notável progresso, que o devia compensar largamente das fadigas a que tivera de sujeitar-se, porque em 1791 obteve o primeiro prémio da Academia de S. Lucas; o assunto proposto à emulação dos artistas fora o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. Em 1794 era admitido como académico emérito, apresentando por esta ocasião o seu belo quadro da Degolação de S. João Baptista.

Sequeira estudou deveras, e com afinco e ardor, visitando incessantemente museus públicos e particulares, fazendo cópias do antigo, e passando as noites a estudar anatomia e adquirir outros conhecimentos indispensáveis para a sua profissão, que afinal adoeceu gravemente, sendo-lhe necessário, para se restabelecer, fazer uma viagem em que visitou Parma, Bolonha, Milão e Veneza. Voltando a Roma, já o seu talento começou a ser tão apreciado que o encarregaram de trabalhos para varias igrejas e palácios. Roma estava sendo para Sequeira a sua segunda pátria. Conhecia muito bem, não só a língua italiana, como também os dialectos romanos, e valeu-lhe isso de muito numa aventura que ia sendo para ele extremamente grave. Rebentara a revolução francesa, e os seus princípios eram pouco estimados na cidade dos papas entre a plebe fanática. O ódio aos franceses estava sendo uma das paixões mais ardentes do populacho. Uma tarde, voltando do Coliseu, foi Sequeira assaltado por um bando de populares aos gritos de: «Morra o francês!» Sequeira, sem perder o sangue frio, explicou-lhe no mais puro transteverino que não era francês, mas sim português de nascimento e romano pelo afecto Deixaram-no, mas Sequeira julgou então prudente ir residir de novo para o palácio do embaixador, porque percebeu que nessa ocasião os estrangeiros em Roma precisavam de ser protegidos pelas imunidades dos embaixadores. Mas os acontecimentos políticos que revolviam a Europa, levaram o governo português a fechar a Academia em Roma e a chamar à pátria os artistas portugueses. Sequeira obedeceu, e partiu na esperança de tornar em breve para Roma, e cheio de distinções com o diploma de académico da Academia de S. Lucas, e os de sócio das academias de Bolonha e de Florença, e tendo sido muito afectuosamente recebido pelo papa Pio VI, que lhe enviou uma relíquia de Santo António, honraria insigne não só pelo valor religioso da oferta realçada pela fineza de ser a relíquia dum santo português, mas também porque, sendo essa uma distinção que os papas faziam ás pessoas que queriam obsequiar, eram essas dadivas levadas aos agraciados por um camareiro num coche de gala, o que realmente devia ser uma honra notável para um simples artista pensionado pelo seu governo. 

Regressando a Portugal, Domingos António de Sequeira percorreu de novo a Itália do Norte, e embarcou finalmente em Génova em outubro de 1795, chegando no ano seguinte a Lisboa, depois de oito anos de ausência Foi aqui recebido admiravelmente. O príncipe D. João, regente do reino, concedeu-lhe uma pensão anual de 60 moedas e casas pagas, sem prejuízo das remunerações que houvesse de receber por cada uma das obras que executasse. Afluíram encomendas tanto da família real, conventos e particulares, como dos próprios estrangeiros amadores das belas artes, entre os quais avultava o opulento e inteligentíssimo Beckford. Mas Domingos António de Sequeira vinha habituado aos preços elevados de Roma, de forma que aquela afluência decaiu rapidamente. Todos queriam ter um quadro do eminente pintor, mas recuavam perante o exagero dos preços que ele pedia. Exagero para os costumes de Portugal, mas não para os preços que já então lá fora obtinham as obras de arte. Quando o conde de Vale de Reis encomendou dez quadros de batalhas para as suas antecâmaras, e que Sequeira lhe pediu mil moedas de ouro (4.800$000 reis), o conde ficou espantado e desistiu da sua ideia. Sequeira, que era orgulhoso, estimulou-se, quis coligar-se com os outros artistas para obter que se levantassem as cotações do mercado artístico, mas os outros, que já o invejavam, ciosos do seu grande valor, recusaram-se. 

Sequeira, que contava enriquecer rapidamente para voltar a Roma e casar com Nannina Cometti, senhora por quem estava enamorado, entristeceu. Sempre fora religioso, os dissabores agravaram-lhe a sua tendência ascética, e saiu da capital, indo ocultar o seu desanimo e desespero no ermo da serra do Buçaco, donde passou para a Cartuxa de Laveiras, estando, naquele convento como noviço, muito seriamente disposto a professar. Ali esteve desde o fim do século 18 até ao ano de 1802, pintando uns quadros todos alusivos ao estado que desejava tomar, representando episódios da vida de S. Bruno, etc. Afinal,  D. Rodrigo de Sousa Coutinho, informado da deplorável resolução de Sequeira, conseguiu arrancá-lo do convento, e intercedendo com o príncipe regente, mostrando-lhe a perda irreparável que seria para a arte portuguesa a falta de Sequeira no mundo artístico, o príncipe, por decreto de 28 de 1unho de 1802, o nomeou primeiro pintor da corte com um ordenado de 2.000$000 reis, e com obrigação de dirigir juntamente com Francisco Vieira Portuense as decorações artísticas do paço da Ajuda. 

Foi nessa ocasião que Domingos António de Sequeira deliberou fundar uma academia de desenho e pintura ligada com as obras da Ajuda, como em Mafra se fundara em tempo uma aula de escultura ligada comas obras do convento. Sequeira, contudo, parece que não tinha paciência para o ensino, porque abandonou muito a aula, como abandonou também as obras da Ajuda, cuja direcção lhe fora confiada, e que afinal. foram feitas quase todas por Taborda e Fuschini. De Sequeira havia apenas a pintura de um tecto, que desapareceu por se terem transformado as decorações da sala onde esse tecto estava, e uns quadros pintados sobre tela, que a família real levou para o Brasil, quando para ali foi em 1801, fugindo aos franceses, e por lá ficaram. Representavam episódios da vida de D. Afonso Henriques. Os directores das obras da Ajuda, Sequeira e Vieira Portuense, abandonaram ambos aquele encargo, Vieira porque teve de ir para a Madeira, onde faleceu. Sequeira, porque tinha muitas coisas em que ocupar-se, e estava granjeando avultados rendimentos. Ganhava 2.000$000 reis como primeiro pintor da corte, continuava a receber a pensão de 60 moedas anuais que lhe fora arbitrada quando regressou de Roma, e continuava a ter casas pagas; tendo sido agraciado com o hábito de Cristo, recebia a tença de 12.000 reis, que lhe andava anexa. Foi escolhido para mestre de desenho dos infantes, e cumpria-lhe exercer gratuitamente esse cargo, na sua qualidade de primeiro pintor da corte, mas dava lhe direito a ter sege montada por conta do paço, o que equivalia a um bom ordenado, finalmente foi nomeado director da aula de desenho, que a junta, da Companhia das vinhas do Alto Douro fundara no Porto, e que fora anexa à. Academia de Marinha e Comércio da mesma cidade, legar pelo qual recebia o ordenado de 600$000 reis anuais tendo apenas a obrigação de ir passar todos os anos três meses no Porto para superintender os trabalhos de que era director. 

Chegara-se ao ano de 1807, e viera a invasão francesa; Sequeira fora ao Porto no desempenho dos seus deveres de director da aula de desenho. Entretanto as obras da Ajuda eram suspensas pelo governo de Junot, por ordem de 9 de Dezembro de 1807, que mandava despedir os operários, mas a 23 do mesmo mês foi nova ordem mandando que tudo continuasse como até aí Sequeira, chegando a Lisboa em Janeiro de 1808, encontrou tudo no mesmo estado em que deixara, e naturalmente afeiçoado a estrangeiros pela sua longa residência na Itália e estranho completamente à política, relacionou-se com o conde de Forbin, grande amador das artes, e que foi depois no tempo da Restauração director das belas artes em França. Este conde, que também pintava, e pintava com certo gosto, era nesse tempo ajudante de ordens de Junot. Quis fazer uma digressão artística em Portugal, e Sequeira acompanhou-o à Batalha e a Alcobaça, onde Forbin desenhou o túmulo de D. Inês de Castro. Por intermédio de Forbin, relacionou-se com outros oficiais franceses e com o próprio Junot. Aceitou e executou encomendas para alguns deles, e não duvidou também, e está aqui a sua culpa, fazer para Junot, que lhe prometia pagar uns meses do seu ordenado que estavam em divida, o seguinte quadro: «Lisboa amparada pelo Génio das Nações e pela Religião, mas triste e melancólica, era consolada pelo vulto de Junot; a um lado. Marte simbolizando a França, fulminava Neptuno, que representava a Inglaterra.» Dizia-se que este quadro fora pintado com tintas corrosivas, para durar pouco tempo. Esta versão não parece verdadeira, porque se o fosse, não deixaria de a alegar o advogado de Sequeira na Memória Justificativa que teve de escrever em defesa do grande pintor, quando este foi processado por esse e outros factos. É certo que Sequeira não se esquivou a executar o trabalho, e pouca atenção merecem realmente as suas desculpas. Alegou que, se Junot não fosse obedecido, o castigaria com severidade. Mas sujeitou-se ao castigo. Mais lhe valia o ter estado preso durante o domínio francês por não ter querido cumprir as ordens do estrangeiro, do que estar, como obteve depois, oito meses encarcerado por não ter manifestado suficiente patriotismo. E não foi só um quadro que Sequeira pintou para glorificação dos invasores. O conde de Farrobo, possuía um esboço firmado por Sequeira, e que representava um génio pairando com um ramo de saudades numa das mãos, e com um medalhão na outra, medalhão onde se lia em letras microscópicas a legenda Duque de Abrantes. Em baixo densas nuvens, sobre as quais pousava uma águia branca de asas fechadas, abriam a cena, que representava vagamente Lisboa e a torre de Belém, onde flutuava também dum modo quase indistinto a bandeira tricolor.

Bem consciente estava das suas culpas o grande pintor, porque foi um dos primeiros que acudiram com donativos para auxilio da guerra contra os franceses cedendo tudo quanto recebia, como pensão, do régio bolsinho, que eram a esse tempo 688$00 reis, e mais um conto dos dois do ordenado que recebia como primeiro pintor da corte, mas ao mesmo tempo que se conservasse a dádiva secreta, e é por isso que não figura na lista de donativos que apareceram na Gazeta. Mostra isso que Sequeira, em primeiro lugar, quis, pelo valor da oferta, desarmar as iras do governo, e ao mesmo tempo temia que a aparição do seu nome fizesse lembrada de todos a sua transigência com o governo intruso. Não lhe valeu essa precaução. O povo revoltou-se contra ele e a regência viu-se obrigada a mandá-lo prender. Efectuaram a prisão com alguma violência, na noite de Natal de 1808 uns soldados de cavalaria. n.º 4, que o levaram para o corpo da guarda do regimento, e donde passou ao Limoeiro, até que foi solto no princípio de setembro de 1809. Se houve processo, com absolvição ou condenação, desapareceu completamente. O que parece mais provável é que os protectores de Sequeira, que os tinha muitos e poderosos, pusessem pedra em cima da questão. O que aconteceu, em todo o caso, é que Sequeira deixou a direcção das obras do paço da Ajuda, não demitido oficialmente, mas não lhe sendo permitido assumir a direcção efectiva, que foi confiada a Ângelo Fuschini. Em 1818 quiseram que ele de novo tomasse a direcção desses trabalhos, mas Domingos António de Sequeira opôs dificuldades.

Em 1814, tendo sido concluída a guerra com os franceses, foi Sequeira encarregado pela regência de desenhar e dirigir a factura da magnífica baixela de prata, com que esse governo presenteou lorde Wellington. Em 1820, quando rebentou a revolução em 24 de agosto, Sequeira mostrou-se sinceramente entusiasmado pelas novas ideias liberais então proclamadas, e parece que foi encarregado de dirigir um monumento que se projectava erigir no Rossio Em 1822 teve também a incumbência de fazer os desenhos da medalha da Sociedade da Industria Nacional. Em 1823, quando se discutia o orçamento, alguns deputados quiseram que se lhe suprimisse o ordenado de 2.000$000 reis. Defendeu-o Borges Carneiro, pondo em relevo os serviços que ele prestara à sua pátria, ilustrando-a e honrando-a no estrangeiro. Foi grande o debate que se travou, e por ele se sabe que Sequeira estivera em Inglaterra, provavelmente quando se tratou da baixela para lorde Wellington, e que a esse tempo a imperatriz da Rússia lhe oferecera 16.000$000 reis para ele ir trabalhar para os seus domínios, o que Sequeira rejeitara. Apesar de todos estes louvores, as cortes sempre lhe foram cerceando os vencimentos, suprimindo lhe a pensão de 400$000, e reduzindo-lhe o ordenado a 1.600$000 reis.

No entretanto, quando veio a reacção desse ano de 1823, Sequeira, lembrando-se da sua prisão em 1808, quis por força sair de Portugal. Debalde o marquês de Palmela, que fazia parte do novo governo, instou com ele para que não saísse do reino, assegurando-lhe que nada tinha a recear, Sequeira insistiu, e então o marquês de Palmela lhe foi levar pessoalmente a casa os seus passaportes. A 7 de setembro de 1823 partiu para Paris, onde chegou a 20 de outubro. Ali privado dos recursos que lhe dava na pátria a sua posição oficial, trabalhou incansavelmente, e fez alguns dos seus mais belos quadros, entre eles o da Morte de Camões, que inspirou a Garrett o seu imortal poema, e que ele ofereceu a D. Pedro, nesse tempo imperador do Brasil, que o agraciou com o habito da ordem do Cruzeiro. Sequeira demorou-se em Paris até 15 de setembro de 1826, dirigindo se nesse ano para Roma, onde chegou a 1 de novembro. Os dez anos e meio que passou naquela cidade das artes, foram os últimos da sua vida, e por ventura os mais bem aproveitados no estudo, e os mais gloriosos para o distinto artista. Além de muitos desenhos e retratos, que lhe eram pedidos com instancia, executou em Roma não menos de catorze quadros, que em seguida mencionamos, dos quais os quatro últimos, que só de por si faziam a reputação de qualquer pintor, elevaram Sequeira no conceito e estimação dos entendidos à categoria de um talento de primeira ordem. 

Eis a nota dos catorze quadros citados: O Baptismo do Salvador e a Crucificação do Cristo pertencentes ao duque de Braciano; A Fé, propriedade da grã-duquesa Helena, existente em S. Petersburgo; A Santa Verónica, encomendado para um convento de Roma; O Caminho da Cruz, que está na igreja da Paz em Roma; A Sacra Família; A Virgem; O Anjo Rafael e Tobias pai e filho; Santo António pregando aos peixinhos e O Salvador, que pertencem ao cavalheiro Miguéis; O Calvário executado em Castelo Gandolfo, no curto espaço de três meses, no Verão de 1827, A Adoração dos Magos, igualmente executado em três meses e durante o verão de 1828; A Ascensão e o Juízo Universal, foram começados e pintados, quando o grande artista já se achava gravemente enfermo da doença que o vitimou. 

Além das composições que apontamos, consta que na quinta das Aguas Férreas, no Porto, existe um esboceto representando Cristo sobre os joelhos da Virgem e de Santa Maria Madalena; na galeria da casa dos duques de Palmela, além dos quatro quadros: O Calvário, A Adoração dos Magos, A Ascensão e O Juízo Universal, que foram comprados em Roma pelo primeiro duque de Palmela em 1845, há mais duas belas compilaçõezinhas de Sequeira. representando uma Susana saindo do banho, a outra Loth deitado, e nu até à cintura com duas filhas ao lado. Nas Academias das Belas Artes de Lisboa e do Porto, na casa do antigo conde do Farrobo, na da condessa de Anadia, e outras muitas, existem, ou existiram, obras de Domingos António de Sequeira. O conde de A. Raczynski, o distinto diplomata e grande amador das artes, dedica um longo artigo elogioso ao notável pintor português no seu Dictionnaire Historico Artistique du Portugal.

Informação retirada daqui

domingo, 17 de setembro de 2017

Biografia de Carl Ferdinand Sohn

Pintor alemão

Nasceu em Berlim, Prússia em 10 de Dezembro de 1805;
morreu em Colónia, Prússia, em 25 de Novembro de 1867.

Estudou na Akademie der Kunste, em Berlim, e na Kunstakademie de Dusseldorf, em qualquer das duas sob a direcção de Friedrich Wilhelm von Schadow. Viajou por Itália, em 1830 e 1831, tendo adoptado como modelos as obras dos pintores venezianos Ticiano, Veronese e Palma Vecchio. Esta viagem antecedeu a sua entrada para professor da Kunstakademie de Dusseldorf. Sohn tornou-se conhecido com o quadro Rinaldo e Armida, de 1828, uma cena mostrando os amantes do poema épico do autor quinhentista italiano Torquato Tasso, Gerusalemme liberata, 

O jovem pintor impressionou os seus contemporâneos ao pintor no estilo literário e idealista de Schadow e dos seus seguidores da Escola de Dusseldorf. O quadro, de um colorido brilhante e realista mostra o talento de Sohn para descrever personagens de corpo inteiro, sensuais e graves. Mas, de facto, foi nos retratos que a reputação de Sohn se estabeleceu. Especializou-se na pintura de aristocratas, jovens e bonitas, elegantemente vestidas e em poses graciosas com um fundo neutro, tudo realizado nas brilhantes cores venezianas, como são exemploa o retrato de Elisabeth von Joukowsky, de 1873 (Dusselford, Kunstmuseum) e o da Rainha D. Estafânia, de 1860 (Lisboa, Palácio da Ajuda).

Com os quadros baseados na peça de Goethe Tasso, As Duas Leonores, de 1836 (Poznan, Museu Nacional) e Tasso e as duas Leonores, de 1839 (Dusseldorf, Kunstmuseum) o pintor voltou a usar a técnica já provada de pintar figuras voluptuosas de grande tamanho, com trajes ricos e detalhados, num ambiente lânguido e amoroso, colocadas num cenário exterior. Mas, de facto, estes temas limitavam-no, já que as composições são indefinidas, havendo falta de acção e tendo um conteúdo muito vago.

Fonte:
Jane Turner (ed.), The Dictionary of Art, Vol. 29, Nova Iorque e Londres, Grove, 1996, pág. 16.




sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Biografia de Dirk Stoop

Pintor e gravador holandês do séc. XVII.

Nasceu em Utreque, Províncias Unidas (Países Baixos) por volta de 1610; 
morreu na mesma cidade em 1686.

Filho do pintor de vidro Wilhelm Iansz van der Stoop, veio para Portugal em 1651 eu 1659, entrando como gravador ao serviço de D. João IV. Acompanhou a Londres a infanta D. Catarina, em 1662, quando esta princesa se casou com Carlos II de Inglaterra, tendo regressado a Utreque em 1678.

Trabalhou como pintor e realizou várias séries de gravuras a água-forte. Tendo assinado as suas obras com vários nomes próprios, pensou-se que fosse não um  artista, como parece ser o caso mais verosímil, mas uma família de artistas, já que os vários nomes com que assinou parecem não ser mais do que a tradução do seu nome em cada uma das línguas dos países onde trabalhou.

Sobre Portugal, conhecem-se-lhe uma Vista da Igreja e Convento de Belém, um retrato de D. Catarina,  sete gravuras descrevendo a ida de D. Catarina para Inglaterra, desde a saída do Palácio do Terreiro do Paço, até à chegada a Hampton Court e oito vistas de Lisboa gravadas também a água-forte.


Fontes:
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
Ernesto Soares, História da Gravura Artísitica em Portugal. Os Artistas e as suas Obras, vol. II, Nova Edição, Lisboa, Livraria Samcarlos, 1971, págs. 616 a 617.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Sara Afonso

Pintora e ilustradora portuguesa teve uma participação impar na vida artística dos anos trinta, embora se não possa dissociar a sua vida da do seu marido, José de Almada Negreiros. Sara, nasceu em Lisboa numa família burguesa, filha de um oficial do Exército e de Alexandrina Gomes Afonso. Passou a infância no Minho, que a viria a inspirar em temas populares de grande beleza e ingenuidade. Em 1924, ainda solteira, partiu sozinha para Paris, depois de ter tido lições com o pintor Columbano Bordalo Pinheiro. Paris foi uma experiência determinante, então também a cidade de Picasso e Hemingway. Ali expôs com sucesso no Salon d'Automne. Regressou a Portugal e, à sua custa, voltou para Paris entre 1928 e 1929, trabalhando no atelier de uma modista fazendo croquis de moda, gosto que lhe ficou, tendo colaboraria mais tarde com desenhos de moda para revistas portuguesas. Sara Afonso de regresso a Lisboa seria a primeira mulher a frequentar o café A Brasileira do Chiado, então exclusiva do sexo masculino. Contemporânea de Bernardo e Ofélia Marques, Carlos Botelho e outros. Era previsível que havia de casar com um pintor. Participou no primeiro Salão de Artistas Independentes em 1930. Casou aos 35 anos com José de Almada Negreiros. Sara Afonso conciliou a sua vida de mãe de família e de pintora. Fez uma exposição individual, em 1939 e participou na Exposição do Mundo Português, em 1940. Em 1944 recebeu o Prémio Sousa Cardoso. Em 1953 integrou a delegação portuguesa à Bienal de São Paulo. Não deixou de pintar até quase ao fim dos seus dias. Fez retrospectivas dos seus trabalhos em 1953, 1962, 1975 e 1980. Sara Afonso dedicou especial atenção às festas populares e às tradições portuguesas em cores doces e luminosas. Por ocasião do centenário do seu nascimento, em 1999, realizaram-se exposições comemorativas em Viana do Castelo e Porto.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Abel Manta

Nasceu em Gouveia, em 12 de Outubro de 1888; morreu em Lisboa em 9 de Agosto de 1982. 

Tendo vindo residir para Lisboa em 1904, inscreveu-se em 1908 na Escola de Belas Artes de Lisboa, onde cursou Pintura. Concluiu o curso em 1915, tendo ganho o 3.º Prémio da Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA) no ano seguinte. Estabeleceu-se em Paris de 1919 a 1925, tendo aproveitado para viajar pela Europa, visitando sobretudo a Itália, onde se interessou pelos frescos renascentistas. Na capital francesa expôs, em 1921 e 1923, no salão do La Nationale, e frequentou o curso de gravura da Casa Schulemberger. 

Tendo regressado a Portugal, realizou em Lisboa uma exposição individual na Galeria Bobone, tornando-se no ano seguinte professor de Artes Decorativas no Ensino Técnico, e professor da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL) em 1934. Participou na decoração de alguns pavilhões de Portugal em exposições internacionais, realizadas na década de 30 - em 1929 o Pavilhão de Portugal na Exposição de Sevilha, em 1931 e 1937 o pavilhão nas Exposições de Paris. 

Obteve o prémio Silva Porto do S.N.I. em 1942 e, em 1949, a primeira medalha da SNBA em Pintura. 

Concorreu a várias exposições colectivas, como a 25.ª Bienal de Veneza (1950), a 3.ª Bienal de São Paulo (1955) e, em 1957, à 1.ª Exposição de Artes Plásticas da Fundação Gulbenkian, tendo ganho o Prémio de Pintura. Dois anos depois participou na Exposição Internacional de Bruxelas. 

Pintou os retratos de Aquilino Ribeiro, Paiva Couceiro, Bento de Jesus Caraça, entre outros, quadros que se caracterizam pela densidade expressiva. Noutro género, as suas paisagens notáveis pela frescura da cor e pela impressão de realidade. O seu estilo é sóbrio e incisivo, utilizando um colorido vigoroso. 

Em 1965 a SNBA realizou uma exposição retrospectiva da obra de Abel Manta. Em 1979 foi condecorado com uma comenda da Ordem de Sant'Iago da Espada, tendo morrido em Lisboa em 1982. 

Tinha casado em 1927 com a pintora Clementina Carneiro de Moura, tendo havido um filho do matrimónio, o arquitecto e «cartoonista» João Abel Manta. 

Biografia retirada de NetSaber

sábado, 9 de setembro de 2017

Almada Negreiros

Uma das figuras marcantes da geração modernista de "Orpheu".

Nasceu em São Tomé e Príncipe a 7 de Abril de 1893;
morreu em Lisboa a 15 de Junho de 1970.

Filho do tenente de cavalaria António Lobo de Almada Negreiros, administrador do concelho de S. Tomé e de Elvira Sobral, foi educado no Colégio de Campolide, dos Jesuítas, e mais tarde, devido à extinção do Colégio em 1910, e por pouco tempo, no Liceu de Coimbra.

Em 1911 ingressa na Escola Internacional de Lisboa, que tem um ensino mais moderno, e onde lhe proporcionam um espaço que lhe vai servir de oficina. e publica o primeiro desenho n'A Sátira. Em 1912 redige e ilustra integralmente o jornal manuscrito A Paródia, reproduzido a copiógrafo na Escola, expõe no I Salão dos Humoristas Portugueses, e colabora com desenhos para várias publicações.

Em 1913 realiza a primeira exposição individual, apresentando cerca de 90 desenhos na Escola Internacional, e conhece Fernando Pessoa, que escrevera uma crítica à exposição n'A Águia. Continua a colaborar como ilustrador para várias publicações, e em 1914 torna-se director artístico do semanário monárquico Papagaio Real.

No ano seguinte, escreve a novela A Engomadeira, publicada em 1917, onde aplica o interseccionismo teorizado por Fernando Pessoa, abeirando-se do surrealismo. Colabora no primeiro número da revista Orpheu, depreciado por Júlio Dantas, que afirma que não há justificação para o sucesso da revista e para a publicidade feita ao seu redor, afirmando que os autores são pessoas sem juízo. Ainda nesse ano de 1915, Almada realiza o bailado O Sonho da Rosa.

Em 21 de Outubro do mesmo ano estreia-se a peça de Júlio Dantas Soror Mariana. Almada irá reagir com a publicação do Manifesto Anti-Dantas e por Extenso,


"O Manifesto Anti-Dantas tornou-se famoso na obra de Almada Negreiros por várias razões: Primeiro porque é dirigido contra um escritor que dominava a literatura conservadora em Portugal e que mantinha o trono da dramaturgia de sucesso entre a classe dominante em Portugal. Júlio Dantas (1876-1962) é um médico, poeta, jornalista, dramaturgo e académico prestigiado entre a intelectualidade portuguesa, figura de presença variada em vários géneros literários, e uma figura controvertida. Em segundo lugar, pela violenta mordacidade e ironia com que Almada tenta desmontar o prestígio literário de Dantas. Em terceiro lugar, porque ao desmontar o prestígio literário de Dantas, Almada Negreiros está a tentar desmontar também toda a arquitectura da literatura conservadora acoplada a Dantas e que dominava Portugal na altura em que apareceu a revista Orpheu. Em quarto lugar, porque é uma peça onde aparecem ricos elementos de estudo não só do perfil do modernismo literário português, mas também da crítica literária em Portugal e sobretudo preciosos dados válidos para o estudo do género da ironia literária." (João Ferreira, Usina de Letras) (a ligação abrirá noutra janela)
O Manifesto causa algum impacto nos meios artísticos. Almada começa a corresponder-se com Sonia Delaunay, refugiada em Portugal com o marido por motivo da Guerra que assola a Europa. Publica o Manifesto da exposição de Amadeo de Souza Cardoso, com o título Primeira Descoberta de Portugal na Europa no Século XX.

Em 1917 realiza, vestido de operário, a conferência Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX, e publica a novela K4 O Quadrado Azul, que inspirou o quadro homónimo de Eduardo Viana. 1918, é quase inteiramente dedicado ao bailado integrando o grupo de Helena de Castelo Melhor.

Em 1919, com o fim da Primeira Guerra Mundial, parte para Paris, onde exerce actividades de sobrevivência, e escreve Histoire du Portugal para coeur, publicada em 1922, mas regressa no ano seguinte.

Em 1921 começa a colaboração com António Ferro, que o apresenta quando Almada realiza a conferência A Invenção do Corpo, como "o imaginário na terra dos cegos", e posteriormente o convida para desenhar para a Ilustração Portuguesa. Em 1923 Almada desenhará a capa do livro de Ferro, A Arte de Bem Morrer, continuando a produzir ilustrações para revistas, cartazes para empresas e publicando peças como Pierrot e Arlequim (1924),  romances como Nome de Guerra (1925) e ensaios como A Questão dos Painéis; a história de um acaso de uma importante descoberta e do seu autor (1926).

De 1927 a 1932 vive em Espanha, e em 1934 casa com a pintora Sarah Afonso. Começa a ser solicitado regularmente para a realização de trabalhos de índole oficial, como seja um selo para a emissão comemorativa da 1.ª Exposição Colonial, um cartaz para o álbum Portugal 1934 editado pelo Secretariado da Propaganda Nacional e ilustrações para o programa das Festas da Cidade de Lisboa, e sobretudo começa os estudos para os vitrais a colocar na Igreja de Nossa Senhora de Fátima em Lisboa, que concluirá em 1938. Esta colaboração  com a «Política do Espírito» de António Ferro culmina em 1941, quando o S.P.N. organiza a exposição Almada - Trinta Anos de Desenho, e o convida a participar na 6.ª Exposição de Arte Moderna e na exposição Artistas Portugueses apresentada no Rio de Janeiro, no Brasil e lhe atribui, em 1942, o Prémio Columbano.

De 1943 a 1948 a sua actividade incide na realização dos frescos das Gares Marítimas de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos, sendo-lhe atribuído o Prémio Domingos Sequeira em 1946.

Regressa à realização de vitrais em 1951, desenhando  os da Igreja do Santo Condestável, Lisboa, e os da Capela de S. Gabriel, em Vendas Novas, e à pintura em 1954, quando pinta o Retrato de Fernando Pessoa.

A sua actividade, no final dos anos 50, incide na decoração de obras de arquitectura, como sejam:

- painéis para o Bloco (Edifício) das Águas Livres e frescos para a Escola Patrício Prazeres (1956);

- decoração das fachadas dos edifícios da Cidade Universitária (1957);

- cartões de tapeçaria para a Exposição de Lausanne, o Tribunal de Contas e o Hotel de Santa Luzia de Viana do Castelo (1958) e o Palácio da Justiça de Aveiro (1962);

Realiza as suas últimas obras em 1969 - o painel Começar no átrio da Fundação Calouste Gulbenkian, começado no ano anterior, e os frescos Verão na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra.

Em 15 de Junho de 1970 morre no Hospital de São Luís dos Franceses, no mesmo quarto em que tinha morrido Fernando Pessoa.

Biografia retirada de Arqnet

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Biografia de José Ângelo Cottinelli Telmo

Arquitecto e cineasta

Nasceu em Lisboa,  em 13 de Novembro de 1897;
morreu em Cascais em 18 de Setembro de 1948.

Estudou Arquitectura na Escola de Belas Artes de Lisboa, curso que completou em 1920.

No decorrer do curso colaborou com a Lusitânia-Film na produção dos filmes Malmequer e Mal de Espanha de Leitão de Barros, realizados em 1918.

Tendo construído em 1932, com A.P. Richard, o estúdio da Tobis, no bairro do Lumiar, em Lisboa, aí realizou, no ano seguinte, A Canção de Lisboa.

A Canção de Lisboa, que teve a participação de Vasco Santana, António Silva, Beatriz Costa e de Manuel de Oliveira, o conhecido realizador, foi o primeiro filme sonoro inteiramente produzido em Portugal, e tornou-se um verdadeiro modelo do humor cinematográfico português.

Mas são as suas obras arquitectónicas que o tornam verdadeiramente conhecido. No início da carreira, em 1922, realiza o Pavilhão de Honra da Exposição do Rio de Janeiro e mais tarde, em 1929, o Pavilhão português da Exposição de Sevilha. Mais tarde projectará a fábrica da Standard Eléctrica, na Junqueira, em Lisboa e mais tarde a cidade universitária de Coimbra.

Em 1940 é Arquitecto-chefe da Exposição do Mundo Português, sendo dele o plano da Praça do Império e da sua Fonte Monumental e o Monumento dos Descobrimentos, assim como a Porta da Fundação.

De 1938 a 1942 foi director da revista Arquitectos.

Morreu devido a um acidente de pesca.


Fonte:
Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, vol. 17.º

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Emily Warren Roebling

No mês de Maio de 1983, os nova-iorquinos festejaram com a grande alegria, bandas de música, muito fogo de artifício, serpentinas e discursos, o primeiro centenário da Ponte de Brooklyn. Um século antes, e como se deve «dar a César o que é de César», os oradores que inauguraram a Ponte não se esqueceram de enaltecer o trabalho imenso de paciência e persistência de Emily Roebling, pois, sem ela a ponte de Brooklyn jamais teria sido acabada. Ela teve a honra de ser a primeira pessoa a atravessá-la.
Emily era uma simpática dona de casa, casada com o coronel e engenheiro, Washington Augustus Roebling (1837-1926) e nora de John Augustus Roebling (1806-1869) engenheiro de origem alemã[1] que emigrou para os Estados Unidos, em 1831. Foi ele quem desenhou, ou melhor, projectou a ponte, mas teve um acidente grave, ao estudar o local exacto da construção da ponte, tendo ficado com um pé esfacelado. Na sequência desse ferimento grave, contraiu o tétano e viria a falecer três semanas mais tarde sem poder iniciar a construção da ponte para a qual gastou muito do seu tempo e saber. Sucedeu-lhe o filho, Washington Roebling, que continuou o trabalho, tendo-lhe sido exigido frequentar o Rensselaer Polytecchnic Institute, graduar-se em engenharia e, então sim, poder prosseguir o trabalho do pai. Porém uma segunda fatalidade envolveria a família Roebling.
Numa tarde de Verão no ano de 1872, Washington Roebling, devido a uma doença chamada “mal dos mergulhadores”, ficou parcialmente paralisado e sem fala. É foi então que a sua mulher, Emily, percebeu que podia e devia intervir. Sendo ela a única pessoa que sabia comunicar com ele e como já lhe tinha servido de secretária será ela a arcar, por sua própria opção, com a responsabilidade de levar a bom termo este projecto de enorme envergadura.
De início o marido ensinou-lhe matemática, cálculo e resistência de materiais, mas Emily sabia quais eram as suas limitações e era imperioso estudar muito mais. Orientada pelo marido, consegue passar nas provas de ingresso na escola superior Georgetown Visitation Convent, onde seguiu um rigoroso programa de estudos, tendo, entre outras, as disciplinas de álgebra, geometria, botânica, química e geologia. Depois desta árdua etapa de estudos, Emily Roebling podia negociar os acordos com as diversas firmas intervenientes num tão grande projecto e acompanhar a construção da ponte.
Entretanto o marido observava a construção de longe, na sua casa em Brooklyn Heights, que, como o nome indica, era numa zona alta do então bairro de Brooklyn. Para poder controlar os trabalhos o Sr. Roebling utilizava um potente telescópio. Agora Emily podia perceber quais os materiais que se deviam utilizar, inspeccionar o andamento da ponte todos os dias. Depois de algum tempo passou a ser admirada e tomada a sério por todos os homens que durante praticamente 16 anos, construíram uma das mais complexas e belas pontes do mundo.
Ao contrário do que se possa pensar, durante aqueles longos anos Emily manteve-se num quase total anonimato para o comum das pessoas. Apenas no dia da inauguração, o congressista Abram S. Hewitt descreve a nova ponte também como um monumento «à mulher e à sua capacidade para estudos elevados, lamentando que estes lhe tivessem sido negados demasiado tempo». Fez-se justiça à inteligência e vontade indomável de uma mulher com um profundo sentido cívico, porque a ponte era um bem necessário a uma grande comunidade.
A ponte de Brooklyn, tinha, de início, um arco de 486 metros, uma extensão de pouco mais de 2 km, fundações que atingiam 41 metros e foi a primeira ponte dos EUA onde se utilizaram cabos de aço unidos paralelamente, em vez de cabos de ferro. As duas torres que emitam o estilo gótico são de grande beleza e elevam-se a 82 metros de altura. A ponte comportava duas vias-férreas, duas para carruagens de cavalos e uma via superior para peões. Várias experiências e estudos feitos por outros engenheiros foram testados na nova ponte. Houve contratempos e avanços, como se previa, mas foi uma obra ainda hoje considerada extraordinária.
De cada lado da Ponte foi colocada uma placa comemorativa, com os nomes do casal Roebling, a quem se deve a concepção e acompanhamento da construção bem como a homenagem aos 26 trabalhadores que morreram para que ela fosse erguida. Não foram muitos os mortos, tendo em conta que lá trabalhavam 600 homens todos os dias.
Depois da inauguração, Emily Roebling apoiou a National Federation of Women’s Clubs e multiplicaram-se os convites para aparecer em acontecimentos da maior importância, relacionados com o papel das mulheres na sociedade e o seu contributo para a construção daquele, ainda jovem, país. Emily participou na Exposição Mundial de Columbia, em 1893. Não contente com o que sabia, foi ainda estudar Direito na Universidade de Nova Iorque e chegou a publicar um trabalho nesta área, no Albany Law Journal. Com os conhecimentos adquiridos, Emily Roebling, considerada a primeira engenheira americana, projectou sozinha a mansão da família em Trenton, para onde foi viver com a família. Feliz por ser agora uma mulher diferente, um dia disse ao filho que com o que aprendera podia ser útil à sociedade, podia ter uma profissão e auferir um salário, sem depender, como era uso na época nas classes altas, do ordenado do marido. No fim de século passado muitas norte americanas pensavam como Emily Roebling.
Em 1899 a ponte de Brooklyn sofreu grandes alterações e hoje o caminho-de-ferro que passava na ponte foi substituído por uma auto-estrada com seis vias e uma via superior é especial para passeios de peões. Aos domingos é costume verem-se milhares de ciclistas atravessá-la, aproveitando o dia de descanso.
No dia 4 de Julho, festa nacional dos EUA, a Ponte é um dos lugares de grandes festejos onde se concentram muitos milhares de pessoas.
Emily Roebling faleceu em 1903, e o seu nome ficou, para sempre, ligado à construção da mais emblemática ponte de Nova Iorque. 

Informação retirada daqui

domingo, 3 de setembro de 2017

Biografia de Antoni Gaudi i Cornet

Arquitecto espanhol de finais do séc.19 e princípios do séc. 20.
Nasceu em Reus, Catalunha, Espanha, em 25 de Junho de 1852; 
morreu em Barcelona, em 10 de Junho de 1926.

Arquitecto cujo estilo distinto se caracteriza pela liberdade de forma, cor e texturas voluptuosas e na unidade orgânica, Gaudí trabalhou quase sempre em Barcelona ou nos seus arredores. Grande parte da sua carreira foi ocupada com a construção do Templo Expiatório da Sagrada Família, que ainda não estava concluído quando morreu. 

Gaudí nasceu numa localidade costeira da Catalunha. De origens humildes, era filho de um latoeiro que iria viver com ele no fim da vida acompanhado de uma sobrinha, nunca tendo casado. Mostrou desde cedo interesse pela arquitectura, tendo ido estudar em 1869 para Barcelona, então o centro político e intelectual da Catalunha, sendo também a cidade a mais moderna de Espanha. Só acabou o curso oito anos mais tarde, tendo os estudos sido interrompidos pelo serviço militar e outras actividades intermitentes. 

O estilo de Gaudí atravessou diversas fases. Quando saiu da escola provincial de arquitectura de Barcelona, em 1878, começou a projectar de acordo com um estilo Vitoriano bastante florido, que já era evidente nos seus projectos escolares, mas desenvolveu rapidamente uma maneira de compor por meio de justaposições de massas geométricas, até aí nunca usadas, cujas superfícies eram animadas com pedra ou tijolo modelado, painéis cerâmicos de cores vivas, e estruturas de metal utilizando motivos florais ou repteis. O efeito geral, embora os detalhes não o sejam, é Mourisco - ou Mudéjar, como a mistura especial da arte muçulmana com a cristã é conhecida em Espanha. Os exemplos de seu estilo Mudéjar são a Casa Vicens, de 1878-80, e El Capricho construída entre 1883 e 1885, assim como a Propriedade e o Palácio de Güell, de finais dos anos 80 do século XIX. Todas as obras, excepto o El Capricho estão localizadas em Barcelona. Mais tarde, Gaudí experimentou as possibilidades dinâmicas de vários estilos arquitectónicos: o gótico no Palácio Episcopal de Astorga, obra realizada entre 1887 e 1893, e na Casa de los Botines em Leão, construída entre 1892 e 1894; o barroco na Casa Calvet em Barcelona (1898-1904). Mas após 1902 os seus projectos deixam de poder ser atribuídos a um estilo arquitectónico convencional. 

À excepção de alguns edifícios em que é clara representação simbólica da natureza ou da religião, os edifícios de Gaudí transformaram-se em representações da sua estrutura e dos materiais que os constituem. Na sua Vila Bell Esguard, de 1900-02, e no Parque de Güell, de 1900 a 1914, em Barcelona, e na igreja da Colonia Güell (1898 - c. 1915), a sul daquela cidade, chegou a um tipo de estrutura que veio ser chamada equilibrada - isto é, uma estrutura projectada para se apoiar sobre si própria sem apoios internos ou suportes externos - ou, como Gaudí afirmava, exactamente como uma árvore se ergue. Gaudí aplicou seu sistema equilibrado a dois edifícios de apartamentos de vários andares edificados em Barcelona: a Casa Batlló, de 1904-06, uma renovação que incorporou novos elementos equilibrados, sobretudo a fachada; e a Casa Milá (1905-10). Como era frequente nele, projectou os dois edifícios, tanto nas suas formas com nas superfícies, como metáforas do carácter montanhoso e marítimo da Catalunha. 

Arquitecto admirado, mesmo que considerado um pouco excêntrico, Gaudí foi um participante importante na Renaixensa catalã, um movimento artístico revivalista das artes e dos ofícios que se combinou com um movimento político de feições nacionalistas que se baseava num fervoroso  anti-castelhanismo. Ambos os movimentos procuraram restabelecer um tipo de vida na Catalunha que tinha sido suprimido pelo governo centralista de Madrid, ao longo do século XVIII e XIX. O símbolo religioso da Renaixensa em Barcelona era a igreja da Sagrada Família, um projecto que ocupou Gaudí durante toda a sua carreira. 

Contratado para construir a igreja desde 1883, não viveu para a ver terminada. Ao trabalhar nela tornou-se cada vez mais religioso, e após 1910 passou a trabalhar quase exclusivamente na construção da Igreja, tendo mesmo passado a residir nos estaleiros. Aos 75 anos, foi atropelado por um trolley-car, tendo morrido dos ferimentos. 

Ignorado durante os anos 20 e 30 do século XX, quando o estilo internacional era o estilo arquitectónico  dominante, foi redescoberto nos anos 60, sendo reverenciado tanto por profissionais como pelo público em geral, devido à sua imaginação transbordante. A avaliação do trabalho arquitectónico de Gaudí é notável pela sua escala de formas, texturas, e policromia, e pela maneira livre e expressiva como estes elementos da sua arte se conjugam. A geometria complexa de um edifício de Gaudí coincide com a sua estrutura arquitectónica em que o todo, incluindo a sua fachada, dá à aparência de ser um objecto natural conformando-se completamente com as leis da natureza. Tal sentido da unidade total informou também a vida de Gaudí, já que a sua vida pessoal e  profissional  eram indistinguíveis.


Fontes: 
Enciclopédia Britânica
Internet:

Gaudí 2002 
Espaço oficial das comemorações do 150.º aniversário do nascimento de Antoni Gaudí, da responsabilidade da Generalitat de Catalunya e do Ajuntament de Barcelona, em inglês, castelhano, catalão e japonês.

Gaudí Central 
Espaço de um antigo estudante da universidade da Pennsylvania, criado em 1997 e terminado em 1998.

Biografia retirada daqui

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Educação Visual - Explicar o Arco-Íris


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Biografia de Adolf Loos

Loos foi um dos pioneiros da arquitetura moderna. Após seus estudos em Dresden, passou três anos nos Estados Unidos, sofrendo influência sobretudo da escola de Chicago. Quando inaugurou seu ateliê de arquitetura em Viena, em 1896, aplicou suas idéias estéticas às formas de construção. Foi pioneiro na negação do papel da intuição artística na procura de um estilo, confiando mais nas formas fundamentais usadas pelo homem desde os seus primórdios. Precursor da nova objetividade, procurou sempre a solução mais simples para seus projetos e métodos de construção, empregando apenas ocasionalmente motivos ornamentais como elementos articuladores. Esta concepção arquitetônica baseada na funcionalidade entrou em conflito aberto com a "Secessão" de Viena. Suas obras mais célebres e importantes são a moradia Steiner (1910) e a de Michaelplatz (1910-1911), em Viena, bem como a residência Tzara, em Paris.


Noticia retirada daqui

sábado, 1 de julho de 2017

Educação Visual - Cores Primárias e Secundárias


quinta-feira, 29 de junho de 2017

Educação Tecnológica - Texturas


terça-feira, 27 de junho de 2017

Educação Visual - Módulo - Padrão


domingo, 25 de junho de 2017

Educação Visual - A cor no meio envolvente


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Louise Nevelson


Escultora norte-americana de origem ucraniana, nasceu em Kiev. Uma das mais criativas e fantásticas escultoras do séc. XX. Sofreu influência da arte pré-colombiana e as suas obras escapam a qualquer classificação, sendo de imediato identificadas. Trabalhou com os mais diversos materiais, desde alumínio ao bronze passando pelo pexiglás, cartão, utilizando partes de móveis como cadeiras, numa expressividade plástica a que se não pode ficar indiferente.

Informação retirada daqui

domingo, 18 de junho de 2017

Anna Seymour Damer

Escultora inglesa nascida em Londres com nome de solteira Conway, casou em primeiras núpcias com John Seymour Damer. Depois de enviuvar dedicou-se à escultura tendo realizado obras monumentais. É a autora da estátua a Nelson, herói da batalha de Trafalgar e está, em Londres, na dita Praça. São também da sua autoria as estátuas de Támesis e de Ísis na ponte Henley, bem como da estátua do rei Jorge III e da ponte de Keystore. Era prima do escritor inglês Horace Walpole (1717-1797), criador do romance de terror. É provavelmente a mais conhecida escultora inglesa do séc. XVIII, numa época em que as mulheres nas artes podiam apenas ser amadoras, dado não poderem cursar estudos superiores. Foi também retratista de mérito.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Gian Lorenzo Bernini


Nasceu em Nápoles, Reino de Nápoles [Itália], a 7 de Dezembro de 1598;
morreu em Roma, Estados do Papa, a 28 de Novembro de 1680.


Começou a sua vida artística com o pai, Pietro Bernini, um escultor de talento de Florença que foi trabalhar para Roma. O trabalho do jovem foi notado pelo pintor Annibale Carracci, começando desde logo a trabalhar para o papa Paulo V, o que lhe facilitou a sua independência. Influenciado pela escultura Grega e Romana em mármore, que conheceu nas colecções do Vaticano, também conhecia bem a pintura renascentista de princípios do séc. XVI. De facto, o conhecimento da obra de Miguel Ângelo nota-se no seu São Sebastião, de 1617, realizado para o cardeal Barberini, o futuro papa Urbano VIII, que se tornou o patrono mais importante de Bernini.

Mas o seu primeiro patrono foi o cardeal Borghese. Foi para ele que Bernini esculpiu os seus primeiros grupos escultóricos como o Eneias, Anquises e Ascânio fugindo de Tróia, de 1619, Plutão e Proserpina, de 1622 e o David, de 1624. Com estas obras, realizadas em tamanho real, conjugadas com os bustos executados também neste primeiro período da sua actividade, Bernini cortou com a tradição de Miguel Ângelo, criando um novo período na história da escultura da Europa ocidental.

Com a eleição de Urbano VIII, Bernini passou a trabalhar muito intensamente, passando também a trabalhar em pintura e a fazer arquitectura a pedido do papa. O seu primeiro trabalho arquitectónico foi a remodelação da Igreja de Santa Bibiana em Roma. Ao mesmo tempo, Bernini foi encarregado  de construir uma estrutura simbólica sobre o túmulo de São Pedro na Basílica de S. Pedro em Roma. O resultado foi o enorme e famosíssimo Baldaquino dourado construído entre 1624 e 1633. O baldaquim,  uma fusão completamente original e sem precedentes entre escultura e arquitectura, é considerado o primeiro monumento verdadeiramente barroco, tendo-se tornado o centro da decoração projectada por Bernini para o interior da Basílica de S. Pedro. O seu trabalho seguinte foi a decoração dos quatro pilares que sustentam a cúpula da basílica, com quatro estátuas colossais, sendo que só uma delas foi desenhada por ele. Ao mesmo tempo realizou vários bustos, alguns de Urbano VIII, sendo o melhor da série o do seu primeiro patrono, o do cardeal Borgheses, de 1632. 

As obrigações arquitectónicas de Bernini aumentaram quando Carlo Maderno morreu em 1629, tendo o escultor passado a acumular não só as funções de arquitecto de São Pedro como as do Palácio Barberini. As obrigações eram tantas que teve recorrer a assistência de outros artistas, tendo sido bastante bem sucedido na organização do seu estúdio, tendo conseguido manter a consistência do seu trabalho, tanto na escultura como nas ornamentações. O seu trabalho estava de acordo com as conclusões do Concílio de Trento, realizado entre 1545 e 1563, que tinham afirmado que a função da arte religiosa era ensinar e inspirar os fiéis, assim como servir de propaganda da doutrina da Igreja Católica Romana, defendendo que a arte religiosa devia ser inteligível e realista, e acima de tudo servir como estimulo emocional à religiosidade. Bernini tentou sempre conformar a sua arte a estes princípios.

Assim o artista começou a produzir vários tipos inovadores de monumentos - não só túmulos como também fontes. O túmulo de Urbano VIII, realizado de 1628 a 1647, é um dos melhores exemplos desta nova arte funerária, assim como a fonte de Tritão, na Praça Barberini (1642-1643), o é para estas obras. Mas o trabalho de Bernini nem sempre foi bem sucedido, e quando em 1646 as torres sineiras, que tinha erguido na fachada de S. Pedro criaram fissuras no edifício, tendo que ser retiradas, o artista caiu temporariamente em desgraça.

As obras mais espectaculares de Bernini foram realizadas entre os anos 40 e os anos 60 do século XVII. É a Fonte dos Quatro Rios na Piazza Navona de Roma, realizada entre 1648 e 1651; o Êxtase de Santa Teresa (1645-1652), que mais do que uma escultura é uma cena realizada por meio da escultura, da pintura e da iluminação.

A preocupação de Bernini em controlar o ambiente em que as suas estátuas se encontravam, levou-o a concentrar-se cada vez mais na arquitectura. A sua igreja mais impressionante é a de Santo André no Quirinal, edificada entre 1658-1670, em Roma. Mas a sua realização mais impressionante em arquitectura é a Colonata que rodeia a Praça de S. Pedro.

Em 1657 começou o Trono de São Pedro, ou Cathedra Petri, uma cobertura em bronze dourado do trono em madeira do papa, que foi terminada em 1666, ao mesmo tempo que realizava a colonata. Continuando os seus retratos em bustos de mármore, esculpiu em 1650 um de Francisco I d'Este, duque de Modena.  

Em 1665 viajou para Paris, aceitando finalmente um dos muitos convites de Luís XIV. Tendo ofendido os seus hóspedes, ao elogiar a arquitectura italiana em comparação com a francesa, os seus planos de remodelação do Louvre acabaram por não ser aceites, tendo realizado unicamente um busto de Luís XIV.

As últimas esculturas de Bernini, as realizadas para a Capela Chigi na Igreja de Santa Maria del Popolo, em Roma, e os Anjos que deveriam estar na ponte de Sant'Angelo, continuaram a tendência das figuras que decoram o Trono de S. Pedro: corpos alongados, gestos expressivos, expressões mais simples mas mais emocionadas.

O último grande trabalho de Bernini foi a simples Capela Altieri na Igreja de São Francisco a Ripa, de 1674, em que a arquitectura, a escultura e a pintura têm cada uma objectivos separados e bem claros, numa solução mais tradicional do que a da Capela Cornaro.

Bernini morreu aos 81 anos, tendo servido oito papas, e sendo considerado pelos seus contemporâneos, não só o maior artista europeu, como uma dos suas mais importantes personalidades. Foi o último dos génios de valor universal nascidos em Itália, e ajudou a criar o último estilo italiano a tornar-se uma norma internacional.

A sua morte marca o fim da hegemonia italiana na arte da Europa.

Notícia retirada daqui

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Abelardo Germano da Hora


Desenhista, escultor, gravador e ceramista, nasceu na Usina Tiúma, em São Lourenço da Mata, em 1924. Estudou na Escola de Belas Artes do Recife e também é formado em Direito. 

Em 1942 trabalhou na oficina criada pelo industrial Ricardo Brennnand. Realizou sua primeira exposição em abril de 1948, na sede da Associação dos Empregados do Comércio do Recife: a mostra era composta de várias esculturas em concreto armado, com forte característica de crítica social muito em voga na época. 

No final da década de 1940, lançou o Atelier Coletivo, que foi uma das mais importantes experiências em artes plásticas em Pernambuco. 

Na década de 1950, começou a participar de exposições no exterior e foi, também, diretor da Divisão de Parques e Jardins da prefeitura do Recife, sendo autor de esculturas existentes em várias praças da cidade. 

Em 1962, foi um dos fundadores do Movimento de Cultura Popular, MCP, ocasião em que lançou um álbum de desenhos "Os Meninos do Recife". Considerado um dos mais importantes artistas plásticos brasileiros. 

Em 1986, a convite do Instituto de Arte Contemporânea de Paris, realiza sua primeira individual foram do Brasil: no Museu Debret, da embaixada brasileira na França.

Briografia retirada de NetSaber

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Louise Bourgeois

Escultora, nascida em Paris, partiu, em 1938 para Nova Iorque onde vive. Casou com o historiador Robert Goldwater nesse mesmo ano. Fez uma passagem pela pintura e gravura mas viria a distinguir-se com esculturas monumentais e temas arrojados. Muita gente já viu exposta, algures, as suas monumentais "Aranhas", 1995. Usa os mais diversos materiais, desde o gesso à borracha, bronze, alumínio, o aço, látex, etc. e tudo o que a sua imaginação sem limites lhe dita. A carismática escultora franco-americana diz-se obcecada pelo trabalho. Bourgeois criou peças abstractas em diversos materiais, alguns nunca usados. Fala muitas vezes na sua infância e na mãe protectora, daí a sua aranha gigante, com uma simbologia complexa. A sua obra não passa despercebida. É uma das escultoras que merece mais espaço na comunicação social, por ter uma idade respeitável e continuar a surpreender tudo e todos.

Biografia retirada de O Leme

sábado, 10 de junho de 2017

Biografia de Joaquim Machado de Castro

n.      19 de junho de 1731.
f.       17 de novembro de 1822.

Escultor e estatuário. 
Nasceu em Coimbra a 19 de junho de 1731, faleceu em Lisboa a 17 de novembro de 1822.

Era filho de Manuel Machado Teixeira, organeiro e escultor, que, segundo dizia Machado de Castro, era dotado dum engenho e habilidade enciclopédica, e de sua primeira mulher, D. Teresa Angélica Taborda. Seu pai, reconhecendo-lhe bastantes aptidões, mandou-o para os gerais chamados do Pátio aprender gramática latina com os padres jesuítas. Ao mesmo tempo que o jovem educando exercitava o espírito com o estudo dos livros, aprendia em casa com o pai os processos de moldar, e exercitava-se na arte de escultura. Foi duplo e poderoso impulso do seu espírito que lhe imprimiu o seu carácter artístico, e produziu esta individualidade da arte nacional. Na escola e na oficina, Machado de Castro assombrava os professores pelos rápidos e prodigiosos progressos que fazia. À medida que a inteligência se ia desenvolvendo, iam crescendo as suas ambições e aspirações. Aos 15 anos já pensava em ir a Roma ver, admirar e estudar os grandes génios artísticos. Falecendo sua mãe, seu pai passou a segundas núpcias com D. Josefa de Cerveira. Machado de Castro começou então a sentir verdadeiramente a falta dos carinhos maternais, porque a madrasta tratava-o com todos os rigores, e tão exagerados se tornaram que Machado de castro ainda mais persistiu na ideia de sair da sua terra, para se aperfeiçoar na sua educação num meio mais desenvolvido que não era Coimbra.

Veio para Lisboa aos quinze anos desejoso de encontrar um artista que o dirigisse e encaminhasse. Encontrando Nicolau Pinto, escultor em madeira, pediu-lhe licença para frequentar o seu atelier, e começou logo a auxiliar o mestre nos seus trabalhos. Nicolau Pinto ficou por tal modo maravilhado da habilidade dessa criança que o acaso lhe trouxera, que não tardou a encarregá-lo de modelar várias imagens. O jovem aprendiz apresentou modelos tão perfeitos, que o mestre não duvidou em tomá-los para si, copiando-os em madeira. Em pouco tempo o discípulo tornou-se superior ao mestre, e por isso procurou encontrar outro com quem pudesse mais adiantar-se. Lembrou-se então do hábil escultor em pedra José de Almeida, que estudara em Roma, protegido e sustentado por D. João V, e que passava por ser o primeiro escultor português dessa época. Resolveu-se a procurá-lo, e José de Almeida recebeu-o atenciosamente. Machado de Castro começou a executar várias obras, que desde logo impressionaram o público. A estátua que existe no pórtico da igreja de S. Pedro de Alcântara, foi um dos primeiros trabalhos, que tornaram conhecido o seu nome. O povo aglomerava-se para admirar a produção artística do notável escultor. Machado de Castro adquiriu tão grande fama que muitos artistas o procuravam congratulando-o pelo seu talento superior, não duvidando em lhe pedirem que compusesse os modelos para as obras de que se haviam encarregado. Machado de Castro satisfazia a todos os pedidos, recebendo muitos louvores pelo desembaraço com que trabalhava, e pela graça que respirava em tudo quanto saía das suas mãos.

Com a consciência do seu valor artístico, intentou ir para as obras da grandiosa basílica de Mafra, onde estavam muitos artistas de merecimento, tendo à frente o professor e ilustre estatuário romano Alexandre Giusti. O seu ardente desejo de se aperfeiçoar na arte, o obrigou a sair de Lisboa, onde auferia bons lucros, e ir encerrar-se naquela vila conseguindo dentro em pouco, em 1756, ser nomeado ajudante do professor romano, situação em que se conservou durante catorze anos, trabalhando sempre assíduo e com o maior aproveitamento, adquirindo cada dia novos conhecimentos, e produzindo trabalhos já de excepcional valor. Mas em Mafra esperava-o um novo futuro. Como ali se tornara um ponto de reunião, não só de viajantes estrangeiros, como de poetas, artistas e sábios portugueses, Machado soube tirar óptimo partido, para se instruir, com a conversação dos homens doutos. Um dos frequentadores era o poeta Cândido Lusitano, que não se cansava de admirar as novas produções dos artistas, que trabalhavam ali. Travou relações com o jovem escultor, e desde logo lhe votou sincera amizade. Reconhecendo o seu desejo de aprender, encarregou-se de lhe dar lições de Retórica, que o nosso artista aceitou gratamente. Mafra foi, por assim dizer, para Machado de Castro, não só um centro de educação artística, como uma espécie de universidade onde se lhe deparavam os melhores livros do seu tempo, como professores que o instruíssem e o iniciassem no movimento intelectual do século. As novas relações com o poeta e pintor Vieira Lusitano, marcaram assim uma época na educação literária de Machado de Castro. As novas teorias que se revoltavam contra a imitação servil dos mestres, contra o fanatismo das regras e que colocava acima de tudo o entusiasmo e espontaneidade da poesia, a imitação da natureza, foram adoptadas para sempre pelo nosso ilustre artista, tornado um entusiasta discípulo delas. Joaquim Machado de Castro caracteriza-se, porém, pelo seu bom senso, pela rectidão dos seus julgamentos e a lucidez das suas ideias.

Conservava-se no seu retiro de Mafra entregue ao estudo e ao trabalho, e estava concluindo um pequeno baixo relevo, quando em 19 de outubro de 1760 recebeu uma carta de Domingos da Silva Raposo, ajudante de arquitectura na Casa do Risco das Obras Públicas, convidando-o para entrar no concurso para a execução da estátua de D. José. Foi aquele artista o primeiro que lembrou ao marquês de Pombal o nome de Joaquim Machado de Castro. Este não quis partir sem acabar a obra, e por isso só um mês depois é que veio a Lisboa, onde o arquitecto Reinaldo Manuel dos Santos lhe entregou dois desenho iguais ao que deram ao seu competidor, que era estrangeiro. Machado de Castro dedicou-se ao trabalho, começando a fazer o seu modelo de cera. Mas uma dificuldade se lhe apresentava: os modelos impossíveis que por ordem do governo se davam aos concorrentes. Machado de Castro, artista instruído, consciencioso e correcto, e seguindo, além disso, as suas próprias inspirações e não as alheias, viu-se obrigado a seguir modelos de mau gosto que lhe foram apresentados para se guiar por eles. Entristeceu, pensando que executando-se a obra por eles, nem o artista nem a pátria tirariam glória suficiente, por faltarem na imagem do herói os incidentes e circunstâncias, como ele havia imaginado, um poema épico que pretendia gravar na pedra, que pudesse servir de estímulo à posteridade. O pobre artista inspirado lutava, não só contra o regime político absoluto, mas contra a mesma escola autoritária e dogmática de que era adversário. Ou tinha que abandonar o concurso, o que era desonroso para os seus sentimentos patrióticos, e contrariava as suas ambições de compor uma obra que o imortalizasse; ou sujeitar-se às ordens terminantes, dimanadas da autoridade legítima. No fim de muitas lutas consigo próprio, resolveu dar princípio ao seu primeiro e pequeno modelo nos fins de dezembro de 1770. Logo nos primeiros dias de janeiro de 1771 voltou ao referido modelo de cera, em cuja matéria o fez, por conservar sempre a medida, conforme o petipé, livre das diminuições do barro.

Concluído o primeiro modelo com as alterações que entendeu, e que tinham sido concedidas, como artista de génio mais conhecedor das artes, foi avisado para comparecer no paço no dia 21 de março, juntamente com o seu competidor, que levou dois modelos, um conforme as severas instruções que também lhe haviam sido dadas, e outro da sua lavra. Este concorrente era italiano e dispunha de grandes protecções que foram a causa da guerra de que Machado de Castro foi vítima até à sua morte. O rei, comparando os modelos apresentados, decidiu-se pelo nosso ilustre artista, dirigindo-lhe palavras muito lisonjeiras. No dia seguinte recebeu aviso de que estava encarregado da obra, e que a aprontasse o mais breve possível. Ao começar o segundo modelo em barro, que devia servir de guia ao modelo grande, depararam-se novas dificuldades, oferecidas pelos secretários de estado e o mundo oficial. Machado de Castro, com o talento de que era dotado desejou corrigir algumas coisas do primeiro modelo, afim de que a sua obra ficasse como ele ambicionava. Felizmente encontrou um dos melhores cavalos dessa época, que o marquês de Marialva pôs à sua disposição para servir de modelo. Era um cavalo espanhol de fina raça, que dava pelo nome de Gentil. A 10 de julho do mesmo ano de 1771 recebeu ordem para a execução do modelo em grande. Machado de Castro seguiu neste trabalho um método próprio, e que lhe parecia mais afeiçoado para a obra sair perfeita, afastando-se dos métodos ensinados por outros professores. Começou os trabalhos a 16 de outubro de 1771, e ordenaram-lhe que os acabasse a 10 de março de 1772. Machado cumpriu as ordens recebidas neste curto espaço de cinco meses, tempo verdadeiramente prodigioso, porque no modelo grande foi que o escultor corrigiu e alterou nos salientes e cavados, de modo a produzir o desejado efeito, aumentando ou diminuindo algumas partes, conforme lhe indicavam os seus estudos e observações. A 11 de outubro de 1773 começaram os trabalhos para a fundição, que se completaram a 18 de dezembro do mesmo ano. Nos princípios de abril de 1775 foi perfeitamente concluído o colossal monumento, que ainda hoje se admira na Praça do Comércio, vulgo Terreiro do Paço.

Em 15 de outubro de 1774 fundiu-se a grandiosa estátua, num só jacto e com uma perfeição tanto mais admirável, quanto era este o primeiro trabalho no género que se executava no país. Bartolomeu da Costa, distinto engenheiro, o fundidor da estátua, tornou-se tão célebre como o escultor, pela grande obra patriótica que se erigiu. Os processos por ele empregados foram os mais perfeitos e conhecidos no seu tempo; e quando a estátua saiu dos seus moldes foi tal o entusiasmo do público, que por muitos anos o escultor Machado de Castro foi injustamente esquecido pelo fundidor. A inauguração do colossal monumento realizou-se a 6 de junho do mesmo ano de 1775, aniversário natalício do rei D. José. Na História do Reinado de el-rei D. José, de Luz Soriano, vol. II, e no presente vol. do Portugal, pág. 331 e seguintes, vêm minuciosamente descritos o trabalho que deu a condução da grandiosa estátua para o Terreiro do Paço, as festas pomposas que se fizeram na sua inauguração e a descrição do monumento e dos carros triunfais, que compunham o cortejo cívico, que então se realizou. No Dicionário Universal Português, dirigido por Fernandes Costa, também se encontra um artigo interessante a este respeito e a biografia de Joaquim Machado de Castro, no vol. VI, pág. 140 e seguintes.

Depois desta obra imortal, temos a registar outras do nosso notável artista, como a Fé suplantando a heresia, que se admirava no frontispício do palácio da Inquisição, e que não sabemos onde hoje existe; a estátua de Neptuno do antigo chafariz do Loreto, e que está actualmente no museu arqueológico do Carmo. D. Maria I, quando construiu o convento da Estrela, encarregou-o de todas as esculturas e baixos-relevos. Neste edifício teve a honra de desempenhar o mesmo papel que em Mafra desempenhara o seu professor e amigo Alexandre Giusti. Foi ele o autor do baixo-relevo do frontispício; das duas belas estátuas de Nossa Senhora e de S. José, que se vêem debaixo da arcada da entrada; também são dele as estátuas sobrepostas nas quatro colunas, representando a Fé, a Adoração, a Gratidão e a Liberalidade. Cada uma é um desenho diferente, cada uma tem uma expressão própria e característica. Também são trabalhos seus as estátuas de Santo Elias, S. João da Cruz, Santa Teresa e Santa Maria Madalena de Pazzi. Esta obra foi começada em 1777 e concluída em 1783. Todas as esculturas de madeira e barro que adornam interiormente o edifício, são obras por ele executadas e dirigidas. Na Patriarcal também deixou muitas obras: as imagens de Nossa Senhora e de S. José, as dos santos apóstolos Simão, Judas Tadeu e Matias: dirigiu a escultura do Baldaquino de S. Vicente e a dos modelos da Custódia cravada de pedras preciosas e a Pia Baptismal. Esculpiu em madeira a imagem de S. João Baptista, que foi para Almeirim, e a imagem de Nossa Senhora da Encarnação, que se venera actualmente na paroquial igreja deste nome, e que foi exposta ao público em 24 de março de 1803, depois de se ter reedificado a igreja, que ficara muito danificada pelo incêndio que se deu ali em 18 de junho de 1802. Joaquim Machado de Castro também se revelou na escultura civil. Além da estátua equestre, vêem-se as três belas estátuas no vestíbulo do palácio da Ajuda., que representam a Generosidade, a Gratidão e o Conselho; a estátua de D. Maria I, em mármore de Carrara, que existe à entrada da Biblioteca Nacional de Lisboa, a qual foi executada pelos seus discípulos Faustino José Rodrigues e Feliciano José Lopes. São seus trabalhos as estátuas de Alpheu e Arethusa, e os bustos de Homero, Virgílio, Camões e Tasso, existentes na casa de Oeiras. Na quinta de Caxias também se encontram muitas estátuas em barro, de tamanho natural; e na quinta de Queluz admiram-se ricos vasos de barro ornados de festões e flores. Foi também o autor de muitos túmulos ricos, como: o da rainha D. Mariana Vitória, que está na igreja de S. Francisco de Paula; o da rainha D. Maria Ana de Áustria, no hospício de S. João Nepomuceno; D. Afonso IV, em bronze, que está na capela-mor da sé de Lisboa; e o do infante D. Pedro Carlos, que foi para o Brasil. Compôs um grande presépio para o convento da Estrela, outro para D. Maria I, outro para D. Carlota Joaquina, outros para os príncipes, e outro que existe na sé de Lisboa.

Pina Manique, intendente geral da Polícia, empregou todos os esforços para desenvolver entre nós o gosto pela pintura e escultura, e para isso criou na Casa Pia uma aula de desenho; e como em Portugal não existisse uma aula de nu, resolveu fundar uma sociedade para esse fim. Procurou os melhores artistas para directores desta academia, que se organizou em 16 de maio de 1780, sendo o número de sócios de cinquenta e um, em que figuravam Joaquim Machado de Castro e muitos outros professores, alunos e amadores das artes. Manique desejou que no dia 24 de dezembro de 1787, por meio de uma sessão académica, a que assistisse toda a corte, realizada na Casa Pia, se mostrasse a público as vantagens do desenho. Foi Machado de Castro o encarregado de falar a esse auditório selecto e composto das primeiras celebridades do país, e proferiu um brilhante discurso, em que se revelou também um orador erudito. As suas obras, tanto em prosa como em verso, e os seus variados conhecimentos, o elevaram à honra de ser eleito em 9 de fevereiro de 1814 sócio correspondente da Academia Real das Ciências, e alguns anos depois a mesma academia lhe ofereceu a medalha de ouro com que costumava premiar os homens de mérito. O rei D. José nomeou-o escultor da Casa Real e obras públicas, lugar que exerceu igualmente nos reinados de D. Maria I e D. João VI. Este monarca nomeou-o director de toda a escultura do Palácio da Ajuda e obras reais. Machado de Castro foi lente da aula de escultura em que prestou relevantes serviços à arte nacional.

Era casado com D. Maria Barbosa de Sousa. Possuía o grau de cavaleiro professo da Ordem de Cristo, com que fora agraciado ao terminar todos os trabalhos do monumento da estátua equestre. Faleceu ao noventa e um anos, e foi sepultado na igreja dos Mártires. Para a sua biografia pode ver-se o artigo do director da Academia de Belas Artes Francisco de Assis Rodrigues, que sob o título de "Comemoração" saiu na Revista Universal Lisbonense, de 17 de novembro de 1842, e foi reproduzida no Diário do Governo, de 24 do referido mês; neste artigo vêem apontamentos, em que se fala de Machado com muito louvor. Nas Memórias de Cyrillo Volkmar Machado também se encontram muitos dados biográficos.

Bibliografia:

Elogia ao Sr. Francisco Vieira Lusitano, cavaleiro professo na Ordem de Santiago, digníssimo pintor de Sua Majestade Fidelíssima, etc., em um soneto glosado, Lisboa, 1758; Ao rei fidelíssimo D. José I, nosso senhor, colocando-se a sua colossal estátua equestre, e de toda a escultura adjacente, Lisboa, 1775; é acompanhada de várias notas explicativas e interessantes, do que diz respeito à estátua, e mais partes que compõe aquele monumento; Triduo métrico na eleição que a província da Arrábida fez para seu ministro provincial da religiosa pessoa do Ver.mo Sr. Fr. António da Chagas Lencastre, etc., Lisboa, 1763; Na feliz aclamação dos fidelíssimos reis D. Maria I e D. Pedro III, nossos senhores; ode, Lisboa, 1777; Pelo restabelecimento da saúde preciosa do Ser.mo sr. D. João príncipe do Brasil, em Agosto de 1789; Ode sáfica, Lisboa, 1789; Carta que um afeiçoado às artes de Desenho escreveu a um aluno de Escultura, para o animar à perseverança no seu estudo, etc., Lisboa, 1780; 2.ª edição, retocada pelo autor, Lisboa, 1817; Discurso sobre as utilidades do Desenho: dedicado à Rainha N. Sr.ª e recitado na Casa Pia do Castelo de S. Jorge de Lisboa em 24 de Dezembro de 1787, Lisboa, 1787; 2.ª edição correcta e retocada, Lisboa, 1818; Análise gráfico-ortodoxa, e demonstrativa de que sem escrúpulo do menor erro teológico, a escultura e pintura podem, ao representar o sagrado mistério da Encarnação, figurar vários anjos, etc., Lisboa, 1805; com duas estampas; Descrição analítica da execução da estátua equestre, erigida em Lisboa à gloria do senhor rei fidelíssimo D. José I, com algumas reflexões e notas instrutivas, para os mancebos portugueses aplicados à escultura, etc., Lisboa, 1810; é ilustrada com vinte e cinco estampas gravadas a buril, das quais as duas primeiras, que são alegóricas, o foram por artista espanhol em Madrid, e as outras em Lisboa. A esta obra serve como de complemento a seguinte: Memória sobre a estátua equestre do senhor rei D. José I; saiu no Jornal de Coimbra, n.os XI e XII, com estampas. Consta que Machado de Castro deixara em manuscrito as seguintes obras: Orpheida, poema épico trágico em quatro cantos, Dicionário filosófico da arte de escultura.

Informação retirada daqui

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