segunda-feira, 3 de julho de 2017

Biografia de Adolf Loos

Loos foi um dos pioneiros da arquitetura moderna. Após seus estudos em Dresden, passou três anos nos Estados Unidos, sofrendo influência sobretudo da escola de Chicago. Quando inaugurou seu ateliê de arquitetura em Viena, em 1896, aplicou suas idéias estéticas às formas de construção. Foi pioneiro na negação do papel da intuição artística na procura de um estilo, confiando mais nas formas fundamentais usadas pelo homem desde os seus primórdios. Precursor da nova objetividade, procurou sempre a solução mais simples para seus projetos e métodos de construção, empregando apenas ocasionalmente motivos ornamentais como elementos articuladores. Esta concepção arquitetônica baseada na funcionalidade entrou em conflito aberto com a "Secessão" de Viena. Suas obras mais célebres e importantes são a moradia Steiner (1910) e a de Michaelplatz (1910-1911), em Viena, bem como a residência Tzara, em Paris.


Noticia retirada daqui

sábado, 1 de julho de 2017

Educação Visual - Cores Primárias e Secundárias


quinta-feira, 29 de junho de 2017

Educação Tecnológica - Texturas


terça-feira, 27 de junho de 2017

Educação Visual - Módulo - Padrão


domingo, 25 de junho de 2017

Educação Visual - A cor no meio envolvente


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Louise Nevelson


Escultora norte-americana de origem ucraniana, nasceu em Kiev. Uma das mais criativas e fantásticas escultoras do séc. XX. Sofreu influência da arte pré-colombiana e as suas obras escapam a qualquer classificação, sendo de imediato identificadas. Trabalhou com os mais diversos materiais, desde alumínio ao bronze passando pelo pexiglás, cartão, utilizando partes de móveis como cadeiras, numa expressividade plástica a que se não pode ficar indiferente.

Informação retirada daqui

domingo, 18 de junho de 2017

Anna Seymour Damer

Escultora inglesa nascida em Londres com nome de solteira Conway, casou em primeiras núpcias com John Seymour Damer. Depois de enviuvar dedicou-se à escultura tendo realizado obras monumentais. É a autora da estátua a Nelson, herói da batalha de Trafalgar e está, em Londres, na dita Praça. São também da sua autoria as estátuas de Támesis e de Ísis na ponte Henley, bem como da estátua do rei Jorge III e da ponte de Keystore. Era prima do escritor inglês Horace Walpole (1717-1797), criador do romance de terror. É provavelmente a mais conhecida escultora inglesa do séc. XVIII, numa época em que as mulheres nas artes podiam apenas ser amadoras, dado não poderem cursar estudos superiores. Foi também retratista de mérito.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Gian Lorenzo Bernini


Nasceu em Nápoles, Reino de Nápoles [Itália], a 7 de Dezembro de 1598;
morreu em Roma, Estados do Papa, a 28 de Novembro de 1680.


Começou a sua vida artística com o pai, Pietro Bernini, um escultor de talento de Florença que foi trabalhar para Roma. O trabalho do jovem foi notado pelo pintor Annibale Carracci, começando desde logo a trabalhar para o papa Paulo V, o que lhe facilitou a sua independência. Influenciado pela escultura Grega e Romana em mármore, que conheceu nas colecções do Vaticano, também conhecia bem a pintura renascentista de princípios do séc. XVI. De facto, o conhecimento da obra de Miguel Ângelo nota-se no seu São Sebastião, de 1617, realizado para o cardeal Barberini, o futuro papa Urbano VIII, que se tornou o patrono mais importante de Bernini.

Mas o seu primeiro patrono foi o cardeal Borghese. Foi para ele que Bernini esculpiu os seus primeiros grupos escultóricos como o Eneias, Anquises e Ascânio fugindo de Tróia, de 1619, Plutão e Proserpina, de 1622 e o David, de 1624. Com estas obras, realizadas em tamanho real, conjugadas com os bustos executados também neste primeiro período da sua actividade, Bernini cortou com a tradição de Miguel Ângelo, criando um novo período na história da escultura da Europa ocidental.

Com a eleição de Urbano VIII, Bernini passou a trabalhar muito intensamente, passando também a trabalhar em pintura e a fazer arquitectura a pedido do papa. O seu primeiro trabalho arquitectónico foi a remodelação da Igreja de Santa Bibiana em Roma. Ao mesmo tempo, Bernini foi encarregado  de construir uma estrutura simbólica sobre o túmulo de São Pedro na Basílica de S. Pedro em Roma. O resultado foi o enorme e famosíssimo Baldaquino dourado construído entre 1624 e 1633. O baldaquim,  uma fusão completamente original e sem precedentes entre escultura e arquitectura, é considerado o primeiro monumento verdadeiramente barroco, tendo-se tornado o centro da decoração projectada por Bernini para o interior da Basílica de S. Pedro. O seu trabalho seguinte foi a decoração dos quatro pilares que sustentam a cúpula da basílica, com quatro estátuas colossais, sendo que só uma delas foi desenhada por ele. Ao mesmo tempo realizou vários bustos, alguns de Urbano VIII, sendo o melhor da série o do seu primeiro patrono, o do cardeal Borgheses, de 1632. 

As obrigações arquitectónicas de Bernini aumentaram quando Carlo Maderno morreu em 1629, tendo o escultor passado a acumular não só as funções de arquitecto de São Pedro como as do Palácio Barberini. As obrigações eram tantas que teve recorrer a assistência de outros artistas, tendo sido bastante bem sucedido na organização do seu estúdio, tendo conseguido manter a consistência do seu trabalho, tanto na escultura como nas ornamentações. O seu trabalho estava de acordo com as conclusões do Concílio de Trento, realizado entre 1545 e 1563, que tinham afirmado que a função da arte religiosa era ensinar e inspirar os fiéis, assim como servir de propaganda da doutrina da Igreja Católica Romana, defendendo que a arte religiosa devia ser inteligível e realista, e acima de tudo servir como estimulo emocional à religiosidade. Bernini tentou sempre conformar a sua arte a estes princípios.

Assim o artista começou a produzir vários tipos inovadores de monumentos - não só túmulos como também fontes. O túmulo de Urbano VIII, realizado de 1628 a 1647, é um dos melhores exemplos desta nova arte funerária, assim como a fonte de Tritão, na Praça Barberini (1642-1643), o é para estas obras. Mas o trabalho de Bernini nem sempre foi bem sucedido, e quando em 1646 as torres sineiras, que tinha erguido na fachada de S. Pedro criaram fissuras no edifício, tendo que ser retiradas, o artista caiu temporariamente em desgraça.

As obras mais espectaculares de Bernini foram realizadas entre os anos 40 e os anos 60 do século XVII. É a Fonte dos Quatro Rios na Piazza Navona de Roma, realizada entre 1648 e 1651; o Êxtase de Santa Teresa (1645-1652), que mais do que uma escultura é uma cena realizada por meio da escultura, da pintura e da iluminação.

A preocupação de Bernini em controlar o ambiente em que as suas estátuas se encontravam, levou-o a concentrar-se cada vez mais na arquitectura. A sua igreja mais impressionante é a de Santo André no Quirinal, edificada entre 1658-1670, em Roma. Mas a sua realização mais impressionante em arquitectura é a Colonata que rodeia a Praça de S. Pedro.

Em 1657 começou o Trono de São Pedro, ou Cathedra Petri, uma cobertura em bronze dourado do trono em madeira do papa, que foi terminada em 1666, ao mesmo tempo que realizava a colonata. Continuando os seus retratos em bustos de mármore, esculpiu em 1650 um de Francisco I d'Este, duque de Modena.  

Em 1665 viajou para Paris, aceitando finalmente um dos muitos convites de Luís XIV. Tendo ofendido os seus hóspedes, ao elogiar a arquitectura italiana em comparação com a francesa, os seus planos de remodelação do Louvre acabaram por não ser aceites, tendo realizado unicamente um busto de Luís XIV.

As últimas esculturas de Bernini, as realizadas para a Capela Chigi na Igreja de Santa Maria del Popolo, em Roma, e os Anjos que deveriam estar na ponte de Sant'Angelo, continuaram a tendência das figuras que decoram o Trono de S. Pedro: corpos alongados, gestos expressivos, expressões mais simples mas mais emocionadas.

O último grande trabalho de Bernini foi a simples Capela Altieri na Igreja de São Francisco a Ripa, de 1674, em que a arquitectura, a escultura e a pintura têm cada uma objectivos separados e bem claros, numa solução mais tradicional do que a da Capela Cornaro.

Bernini morreu aos 81 anos, tendo servido oito papas, e sendo considerado pelos seus contemporâneos, não só o maior artista europeu, como uma dos suas mais importantes personalidades. Foi o último dos génios de valor universal nascidos em Itália, e ajudou a criar o último estilo italiano a tornar-se uma norma internacional.

A sua morte marca o fim da hegemonia italiana na arte da Europa.

Notícia retirada daqui

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Abelardo Germano da Hora


Desenhista, escultor, gravador e ceramista, nasceu na Usina Tiúma, em São Lourenço da Mata, em 1924. Estudou na Escola de Belas Artes do Recife e também é formado em Direito. 

Em 1942 trabalhou na oficina criada pelo industrial Ricardo Brennnand. Realizou sua primeira exposição em abril de 1948, na sede da Associação dos Empregados do Comércio do Recife: a mostra era composta de várias esculturas em concreto armado, com forte característica de crítica social muito em voga na época. 

No final da década de 1940, lançou o Atelier Coletivo, que foi uma das mais importantes experiências em artes plásticas em Pernambuco. 

Na década de 1950, começou a participar de exposições no exterior e foi, também, diretor da Divisão de Parques e Jardins da prefeitura do Recife, sendo autor de esculturas existentes em várias praças da cidade. 

Em 1962, foi um dos fundadores do Movimento de Cultura Popular, MCP, ocasião em que lançou um álbum de desenhos "Os Meninos do Recife". Considerado um dos mais importantes artistas plásticos brasileiros. 

Em 1986, a convite do Instituto de Arte Contemporânea de Paris, realiza sua primeira individual foram do Brasil: no Museu Debret, da embaixada brasileira na França.

Briografia retirada de NetSaber

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Louise Bourgeois

Escultora, nascida em Paris, partiu, em 1938 para Nova Iorque onde vive. Casou com o historiador Robert Goldwater nesse mesmo ano. Fez uma passagem pela pintura e gravura mas viria a distinguir-se com esculturas monumentais e temas arrojados. Muita gente já viu exposta, algures, as suas monumentais "Aranhas", 1995. Usa os mais diversos materiais, desde o gesso à borracha, bronze, alumínio, o aço, látex, etc. e tudo o que a sua imaginação sem limites lhe dita. A carismática escultora franco-americana diz-se obcecada pelo trabalho. Bourgeois criou peças abstractas em diversos materiais, alguns nunca usados. Fala muitas vezes na sua infância e na mãe protectora, daí a sua aranha gigante, com uma simbologia complexa. A sua obra não passa despercebida. É uma das escultoras que merece mais espaço na comunicação social, por ter uma idade respeitável e continuar a surpreender tudo e todos.

Biografia retirada de O Leme

sábado, 10 de junho de 2017

Biografia de Joaquim Machado de Castro

n.      19 de junho de 1731.
f.       17 de novembro de 1822.

Escultor e estatuário. 
Nasceu em Coimbra a 19 de junho de 1731, faleceu em Lisboa a 17 de novembro de 1822.

Era filho de Manuel Machado Teixeira, organeiro e escultor, que, segundo dizia Machado de Castro, era dotado dum engenho e habilidade enciclopédica, e de sua primeira mulher, D. Teresa Angélica Taborda. Seu pai, reconhecendo-lhe bastantes aptidões, mandou-o para os gerais chamados do Pátio aprender gramática latina com os padres jesuítas. Ao mesmo tempo que o jovem educando exercitava o espírito com o estudo dos livros, aprendia em casa com o pai os processos de moldar, e exercitava-se na arte de escultura. Foi duplo e poderoso impulso do seu espírito que lhe imprimiu o seu carácter artístico, e produziu esta individualidade da arte nacional. Na escola e na oficina, Machado de Castro assombrava os professores pelos rápidos e prodigiosos progressos que fazia. À medida que a inteligência se ia desenvolvendo, iam crescendo as suas ambições e aspirações. Aos 15 anos já pensava em ir a Roma ver, admirar e estudar os grandes génios artísticos. Falecendo sua mãe, seu pai passou a segundas núpcias com D. Josefa de Cerveira. Machado de Castro começou então a sentir verdadeiramente a falta dos carinhos maternais, porque a madrasta tratava-o com todos os rigores, e tão exagerados se tornaram que Machado de castro ainda mais persistiu na ideia de sair da sua terra, para se aperfeiçoar na sua educação num meio mais desenvolvido que não era Coimbra.

Veio para Lisboa aos quinze anos desejoso de encontrar um artista que o dirigisse e encaminhasse. Encontrando Nicolau Pinto, escultor em madeira, pediu-lhe licença para frequentar o seu atelier, e começou logo a auxiliar o mestre nos seus trabalhos. Nicolau Pinto ficou por tal modo maravilhado da habilidade dessa criança que o acaso lhe trouxera, que não tardou a encarregá-lo de modelar várias imagens. O jovem aprendiz apresentou modelos tão perfeitos, que o mestre não duvidou em tomá-los para si, copiando-os em madeira. Em pouco tempo o discípulo tornou-se superior ao mestre, e por isso procurou encontrar outro com quem pudesse mais adiantar-se. Lembrou-se então do hábil escultor em pedra José de Almeida, que estudara em Roma, protegido e sustentado por D. João V, e que passava por ser o primeiro escultor português dessa época. Resolveu-se a procurá-lo, e José de Almeida recebeu-o atenciosamente. Machado de Castro começou a executar várias obras, que desde logo impressionaram o público. A estátua que existe no pórtico da igreja de S. Pedro de Alcântara, foi um dos primeiros trabalhos, que tornaram conhecido o seu nome. O povo aglomerava-se para admirar a produção artística do notável escultor. Machado de Castro adquiriu tão grande fama que muitos artistas o procuravam congratulando-o pelo seu talento superior, não duvidando em lhe pedirem que compusesse os modelos para as obras de que se haviam encarregado. Machado de Castro satisfazia a todos os pedidos, recebendo muitos louvores pelo desembaraço com que trabalhava, e pela graça que respirava em tudo quanto saía das suas mãos.

Com a consciência do seu valor artístico, intentou ir para as obras da grandiosa basílica de Mafra, onde estavam muitos artistas de merecimento, tendo à frente o professor e ilustre estatuário romano Alexandre Giusti. O seu ardente desejo de se aperfeiçoar na arte, o obrigou a sair de Lisboa, onde auferia bons lucros, e ir encerrar-se naquela vila conseguindo dentro em pouco, em 1756, ser nomeado ajudante do professor romano, situação em que se conservou durante catorze anos, trabalhando sempre assíduo e com o maior aproveitamento, adquirindo cada dia novos conhecimentos, e produzindo trabalhos já de excepcional valor. Mas em Mafra esperava-o um novo futuro. Como ali se tornara um ponto de reunião, não só de viajantes estrangeiros, como de poetas, artistas e sábios portugueses, Machado soube tirar óptimo partido, para se instruir, com a conversação dos homens doutos. Um dos frequentadores era o poeta Cândido Lusitano, que não se cansava de admirar as novas produções dos artistas, que trabalhavam ali. Travou relações com o jovem escultor, e desde logo lhe votou sincera amizade. Reconhecendo o seu desejo de aprender, encarregou-se de lhe dar lições de Retórica, que o nosso artista aceitou gratamente. Mafra foi, por assim dizer, para Machado de Castro, não só um centro de educação artística, como uma espécie de universidade onde se lhe deparavam os melhores livros do seu tempo, como professores que o instruíssem e o iniciassem no movimento intelectual do século. As novas relações com o poeta e pintor Vieira Lusitano, marcaram assim uma época na educação literária de Machado de Castro. As novas teorias que se revoltavam contra a imitação servil dos mestres, contra o fanatismo das regras e que colocava acima de tudo o entusiasmo e espontaneidade da poesia, a imitação da natureza, foram adoptadas para sempre pelo nosso ilustre artista, tornado um entusiasta discípulo delas. Joaquim Machado de Castro caracteriza-se, porém, pelo seu bom senso, pela rectidão dos seus julgamentos e a lucidez das suas ideias.

Conservava-se no seu retiro de Mafra entregue ao estudo e ao trabalho, e estava concluindo um pequeno baixo relevo, quando em 19 de outubro de 1760 recebeu uma carta de Domingos da Silva Raposo, ajudante de arquitectura na Casa do Risco das Obras Públicas, convidando-o para entrar no concurso para a execução da estátua de D. José. Foi aquele artista o primeiro que lembrou ao marquês de Pombal o nome de Joaquim Machado de Castro. Este não quis partir sem acabar a obra, e por isso só um mês depois é que veio a Lisboa, onde o arquitecto Reinaldo Manuel dos Santos lhe entregou dois desenho iguais ao que deram ao seu competidor, que era estrangeiro. Machado de Castro dedicou-se ao trabalho, começando a fazer o seu modelo de cera. Mas uma dificuldade se lhe apresentava: os modelos impossíveis que por ordem do governo se davam aos concorrentes. Machado de Castro, artista instruído, consciencioso e correcto, e seguindo, além disso, as suas próprias inspirações e não as alheias, viu-se obrigado a seguir modelos de mau gosto que lhe foram apresentados para se guiar por eles. Entristeceu, pensando que executando-se a obra por eles, nem o artista nem a pátria tirariam glória suficiente, por faltarem na imagem do herói os incidentes e circunstâncias, como ele havia imaginado, um poema épico que pretendia gravar na pedra, que pudesse servir de estímulo à posteridade. O pobre artista inspirado lutava, não só contra o regime político absoluto, mas contra a mesma escola autoritária e dogmática de que era adversário. Ou tinha que abandonar o concurso, o que era desonroso para os seus sentimentos patrióticos, e contrariava as suas ambições de compor uma obra que o imortalizasse; ou sujeitar-se às ordens terminantes, dimanadas da autoridade legítima. No fim de muitas lutas consigo próprio, resolveu dar princípio ao seu primeiro e pequeno modelo nos fins de dezembro de 1770. Logo nos primeiros dias de janeiro de 1771 voltou ao referido modelo de cera, em cuja matéria o fez, por conservar sempre a medida, conforme o petipé, livre das diminuições do barro.

Concluído o primeiro modelo com as alterações que entendeu, e que tinham sido concedidas, como artista de génio mais conhecedor das artes, foi avisado para comparecer no paço no dia 21 de março, juntamente com o seu competidor, que levou dois modelos, um conforme as severas instruções que também lhe haviam sido dadas, e outro da sua lavra. Este concorrente era italiano e dispunha de grandes protecções que foram a causa da guerra de que Machado de Castro foi vítima até à sua morte. O rei, comparando os modelos apresentados, decidiu-se pelo nosso ilustre artista, dirigindo-lhe palavras muito lisonjeiras. No dia seguinte recebeu aviso de que estava encarregado da obra, e que a aprontasse o mais breve possível. Ao começar o segundo modelo em barro, que devia servir de guia ao modelo grande, depararam-se novas dificuldades, oferecidas pelos secretários de estado e o mundo oficial. Machado de Castro, com o talento de que era dotado desejou corrigir algumas coisas do primeiro modelo, afim de que a sua obra ficasse como ele ambicionava. Felizmente encontrou um dos melhores cavalos dessa época, que o marquês de Marialva pôs à sua disposição para servir de modelo. Era um cavalo espanhol de fina raça, que dava pelo nome de Gentil. A 10 de julho do mesmo ano de 1771 recebeu ordem para a execução do modelo em grande. Machado de Castro seguiu neste trabalho um método próprio, e que lhe parecia mais afeiçoado para a obra sair perfeita, afastando-se dos métodos ensinados por outros professores. Começou os trabalhos a 16 de outubro de 1771, e ordenaram-lhe que os acabasse a 10 de março de 1772. Machado cumpriu as ordens recebidas neste curto espaço de cinco meses, tempo verdadeiramente prodigioso, porque no modelo grande foi que o escultor corrigiu e alterou nos salientes e cavados, de modo a produzir o desejado efeito, aumentando ou diminuindo algumas partes, conforme lhe indicavam os seus estudos e observações. A 11 de outubro de 1773 começaram os trabalhos para a fundição, que se completaram a 18 de dezembro do mesmo ano. Nos princípios de abril de 1775 foi perfeitamente concluído o colossal monumento, que ainda hoje se admira na Praça do Comércio, vulgo Terreiro do Paço.

Em 15 de outubro de 1774 fundiu-se a grandiosa estátua, num só jacto e com uma perfeição tanto mais admirável, quanto era este o primeiro trabalho no género que se executava no país. Bartolomeu da Costa, distinto engenheiro, o fundidor da estátua, tornou-se tão célebre como o escultor, pela grande obra patriótica que se erigiu. Os processos por ele empregados foram os mais perfeitos e conhecidos no seu tempo; e quando a estátua saiu dos seus moldes foi tal o entusiasmo do público, que por muitos anos o escultor Machado de Castro foi injustamente esquecido pelo fundidor. A inauguração do colossal monumento realizou-se a 6 de junho do mesmo ano de 1775, aniversário natalício do rei D. José. Na História do Reinado de el-rei D. José, de Luz Soriano, vol. II, e no presente vol. do Portugal, pág. 331 e seguintes, vêm minuciosamente descritos o trabalho que deu a condução da grandiosa estátua para o Terreiro do Paço, as festas pomposas que se fizeram na sua inauguração e a descrição do monumento e dos carros triunfais, que compunham o cortejo cívico, que então se realizou. No Dicionário Universal Português, dirigido por Fernandes Costa, também se encontra um artigo interessante a este respeito e a biografia de Joaquim Machado de Castro, no vol. VI, pág. 140 e seguintes.

Depois desta obra imortal, temos a registar outras do nosso notável artista, como a Fé suplantando a heresia, que se admirava no frontispício do palácio da Inquisição, e que não sabemos onde hoje existe; a estátua de Neptuno do antigo chafariz do Loreto, e que está actualmente no museu arqueológico do Carmo. D. Maria I, quando construiu o convento da Estrela, encarregou-o de todas as esculturas e baixos-relevos. Neste edifício teve a honra de desempenhar o mesmo papel que em Mafra desempenhara o seu professor e amigo Alexandre Giusti. Foi ele o autor do baixo-relevo do frontispício; das duas belas estátuas de Nossa Senhora e de S. José, que se vêem debaixo da arcada da entrada; também são dele as estátuas sobrepostas nas quatro colunas, representando a Fé, a Adoração, a Gratidão e a Liberalidade. Cada uma é um desenho diferente, cada uma tem uma expressão própria e característica. Também são trabalhos seus as estátuas de Santo Elias, S. João da Cruz, Santa Teresa e Santa Maria Madalena de Pazzi. Esta obra foi começada em 1777 e concluída em 1783. Todas as esculturas de madeira e barro que adornam interiormente o edifício, são obras por ele executadas e dirigidas. Na Patriarcal também deixou muitas obras: as imagens de Nossa Senhora e de S. José, as dos santos apóstolos Simão, Judas Tadeu e Matias: dirigiu a escultura do Baldaquino de S. Vicente e a dos modelos da Custódia cravada de pedras preciosas e a Pia Baptismal. Esculpiu em madeira a imagem de S. João Baptista, que foi para Almeirim, e a imagem de Nossa Senhora da Encarnação, que se venera actualmente na paroquial igreja deste nome, e que foi exposta ao público em 24 de março de 1803, depois de se ter reedificado a igreja, que ficara muito danificada pelo incêndio que se deu ali em 18 de junho de 1802. Joaquim Machado de Castro também se revelou na escultura civil. Além da estátua equestre, vêem-se as três belas estátuas no vestíbulo do palácio da Ajuda., que representam a Generosidade, a Gratidão e o Conselho; a estátua de D. Maria I, em mármore de Carrara, que existe à entrada da Biblioteca Nacional de Lisboa, a qual foi executada pelos seus discípulos Faustino José Rodrigues e Feliciano José Lopes. São seus trabalhos as estátuas de Alpheu e Arethusa, e os bustos de Homero, Virgílio, Camões e Tasso, existentes na casa de Oeiras. Na quinta de Caxias também se encontram muitas estátuas em barro, de tamanho natural; e na quinta de Queluz admiram-se ricos vasos de barro ornados de festões e flores. Foi também o autor de muitos túmulos ricos, como: o da rainha D. Mariana Vitória, que está na igreja de S. Francisco de Paula; o da rainha D. Maria Ana de Áustria, no hospício de S. João Nepomuceno; D. Afonso IV, em bronze, que está na capela-mor da sé de Lisboa; e o do infante D. Pedro Carlos, que foi para o Brasil. Compôs um grande presépio para o convento da Estrela, outro para D. Maria I, outro para D. Carlota Joaquina, outros para os príncipes, e outro que existe na sé de Lisboa.

Pina Manique, intendente geral da Polícia, empregou todos os esforços para desenvolver entre nós o gosto pela pintura e escultura, e para isso criou na Casa Pia uma aula de desenho; e como em Portugal não existisse uma aula de nu, resolveu fundar uma sociedade para esse fim. Procurou os melhores artistas para directores desta academia, que se organizou em 16 de maio de 1780, sendo o número de sócios de cinquenta e um, em que figuravam Joaquim Machado de Castro e muitos outros professores, alunos e amadores das artes. Manique desejou que no dia 24 de dezembro de 1787, por meio de uma sessão académica, a que assistisse toda a corte, realizada na Casa Pia, se mostrasse a público as vantagens do desenho. Foi Machado de Castro o encarregado de falar a esse auditório selecto e composto das primeiras celebridades do país, e proferiu um brilhante discurso, em que se revelou também um orador erudito. As suas obras, tanto em prosa como em verso, e os seus variados conhecimentos, o elevaram à honra de ser eleito em 9 de fevereiro de 1814 sócio correspondente da Academia Real das Ciências, e alguns anos depois a mesma academia lhe ofereceu a medalha de ouro com que costumava premiar os homens de mérito. O rei D. José nomeou-o escultor da Casa Real e obras públicas, lugar que exerceu igualmente nos reinados de D. Maria I e D. João VI. Este monarca nomeou-o director de toda a escultura do Palácio da Ajuda e obras reais. Machado de Castro foi lente da aula de escultura em que prestou relevantes serviços à arte nacional.

Era casado com D. Maria Barbosa de Sousa. Possuía o grau de cavaleiro professo da Ordem de Cristo, com que fora agraciado ao terminar todos os trabalhos do monumento da estátua equestre. Faleceu ao noventa e um anos, e foi sepultado na igreja dos Mártires. Para a sua biografia pode ver-se o artigo do director da Academia de Belas Artes Francisco de Assis Rodrigues, que sob o título de "Comemoração" saiu na Revista Universal Lisbonense, de 17 de novembro de 1842, e foi reproduzida no Diário do Governo, de 24 do referido mês; neste artigo vêem apontamentos, em que se fala de Machado com muito louvor. Nas Memórias de Cyrillo Volkmar Machado também se encontram muitos dados biográficos.

Bibliografia:

Elogia ao Sr. Francisco Vieira Lusitano, cavaleiro professo na Ordem de Santiago, digníssimo pintor de Sua Majestade Fidelíssima, etc., em um soneto glosado, Lisboa, 1758; Ao rei fidelíssimo D. José I, nosso senhor, colocando-se a sua colossal estátua equestre, e de toda a escultura adjacente, Lisboa, 1775; é acompanhada de várias notas explicativas e interessantes, do que diz respeito à estátua, e mais partes que compõe aquele monumento; Triduo métrico na eleição que a província da Arrábida fez para seu ministro provincial da religiosa pessoa do Ver.mo Sr. Fr. António da Chagas Lencastre, etc., Lisboa, 1763; Na feliz aclamação dos fidelíssimos reis D. Maria I e D. Pedro III, nossos senhores; ode, Lisboa, 1777; Pelo restabelecimento da saúde preciosa do Ser.mo sr. D. João príncipe do Brasil, em Agosto de 1789; Ode sáfica, Lisboa, 1789; Carta que um afeiçoado às artes de Desenho escreveu a um aluno de Escultura, para o animar à perseverança no seu estudo, etc., Lisboa, 1780; 2.ª edição, retocada pelo autor, Lisboa, 1817; Discurso sobre as utilidades do Desenho: dedicado à Rainha N. Sr.ª e recitado na Casa Pia do Castelo de S. Jorge de Lisboa em 24 de Dezembro de 1787, Lisboa, 1787; 2.ª edição correcta e retocada, Lisboa, 1818; Análise gráfico-ortodoxa, e demonstrativa de que sem escrúpulo do menor erro teológico, a escultura e pintura podem, ao representar o sagrado mistério da Encarnação, figurar vários anjos, etc., Lisboa, 1805; com duas estampas; Descrição analítica da execução da estátua equestre, erigida em Lisboa à gloria do senhor rei fidelíssimo D. José I, com algumas reflexões e notas instrutivas, para os mancebos portugueses aplicados à escultura, etc., Lisboa, 1810; é ilustrada com vinte e cinco estampas gravadas a buril, das quais as duas primeiras, que são alegóricas, o foram por artista espanhol em Madrid, e as outras em Lisboa. A esta obra serve como de complemento a seguinte: Memória sobre a estátua equestre do senhor rei D. José I; saiu no Jornal de Coimbra, n.os XI e XII, com estampas. Consta que Machado de Castro deixara em manuscrito as seguintes obras: Orpheida, poema épico trágico em quatro cantos, Dicionário filosófico da arte de escultura.

Informação retirada daqui

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Aleijadinho

Aleijadinho (1730-1814) foi escultor, entalhador e projetista brasileiro. "Os Doze Profetas", entalhados em pedra-sabão, para o terraço do "Santuário de Bom Jesus de Matozinho, em Congonhas do Campo; os "Sete cristos", para as seis "Capelas dos Passos"; a "Capela de São Francisco de Assis em Vila Rica", são testemunho do desenvolvimento artístico de Minas Gerais, no século do ouro. Suas obras estão espalhadas pelas cidades de Vila Rica, Tiradentes, São João del-Rei, Mariana, Sabará, Morro Grande e Congonhas do Campo. Aleijadinho (1730-1814) nasceu em Vila Rica, hoje Ouro Preto, Minas Gerais, no dia 29 de agosto de 1730. 

Filho do português Manuel Francisco Lisboa, mestre de carpintaria, e da escrava Isabel. Estudou as primeira letras, latim e música, com os padres de Vila Rica. Teve como mestre nas artes, os portugueses João Gomes Batista e Francisco Xavier de Brito. Aprendeu a esculpir e entalhar ainda criança, observando o trabalho de seu pai e de seu tio Antônio Francisco Pombal, importante entalhador de Vila Rica. Em Minas gerais, na primeira metade do século XVIII, as construções religiosas eram só de igrejas paroquianas. Para evitar o contrabando de ouro o governo impôs que só permanecessem na capitania, os padres que realmente prestavam assistência aos paroquianos. 

Muitos padres que não justificaram sua permanência na região da mineração, se juntaram e criaram as confrarias e irmandades, contribuindo para grande número de construções religiosas. A medida que a situação econômica melhorava, graças ao ouro, na segunda metade do século XVIII, surgiram as ricas construções em pedra e alvenaria. Foi nessa época que Aleijadinho desenvolveu suas atividades de escultor e projetista. Com seu estilo barroco e rococó, suas talhas, sua obra em relevo e suas estátuas, que estão presentes em construções religiosas de várias cidades mineiras, foi chamado de "Michelangelo tropical", pelo biógrafo francês, Germain Bazin. Uma de suas obras mais famosas é o "Santuário de Bom Jesus de Matosinhos", em Congonha dos Campos, iniciado em 1758. A planta imita o Santuário de Bom Jesus de Braga, em Portugal. Na frente existe um terraço ornado por doze estátuas de profetas. 

O terraço conduz a uma rampa ladeada de sete "Capelas dos Passos" onde estão representadas por 66 imagens, em cedro e em tamanho natural, as cenas da Paixão de Cristo. A "Ordem Terceira de São Francisco de Assis da Penitência", em Ouro Preto, é outra obra-prima. Iniciada em 1776 e concluída em 1794. Aleijadinho com seu estilo inconfundível, traçava a planta a ser construída e supervisionava a construção. Terminada a obra, fazia os trabalhos de acabamento, dava seu toque aos frontispícios, às portas, imagens e púlpitos. Mesmo sofrendo vários preconceitos pela sua condição de mestiço, sua genialidade acabou por consagrá-lo como escultor e projetista admirável. 

O maior gênio na arte colonial no Brasil. Em 1777, no auge de sua fama, surgiram os primeiros sinais da Lepra, doença que o debilitou mas não interrompeu suas atividades. Um ajudante o levava para toda parte e atava-lhe às mãos o cinzel e o martelo. Antônio Francisco da Costa Lisboa, o Aleijadinho, Morreu no dia 18 de novembro, e seu corpo foi sepultado na Matriz de Antônio Dias, junto ao altar da Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Biografia de Domenico Pellegrini

Pintor italiano

Nasceu em Galliera di Bassano, Pádua, em 19 de Março de 1759;
morreu em Roma em 4 de Março de 1840.

Estudou na Academia de Belas Artes de Veneza, sendo discípulo de Lodovico Gallina. Ganhou os primeiros prémios em 1782 e 1784, tornando-se um retratista pela influência de Alessandro Longhi, o mais importante retratista veneziano do seu tempo. Amigo e protegido do escultor Antonio Canova, seu conterrâneo e um dos principais expoentes do neo-classicismo, completou a sua educação artística em Roma com o pintor Domenico Corvi, sendo influenciado por isso pelo estilo classisante de Anton Raphael Mengs. Em Roma expôs em 1788 o seu quadro Rinaldo e Armida.

Começou então a viajar. Em 1789 estava em Paris, e no ano seguinte irá estabelecer-se em Nápoles, onde pintou bastantes retratos, em concorrência com a pintora francesa Elisabeth Vigée Le Brun que vivia em Nápoles desde Abril de 1790, e onde se manterá até Abril de 1792. Pellegrini saiu de Nápoles nesse mesmo ano indo-se para Londres. Na capital britânica viverá até 1803, tendo trabalhado muito e ganho bastante, sendo influenciado pelos grandes retratistas britânicos, sir Joshua Reynolds, que já que tinha morrido quando o pintor veneziano chegou, e George Romney, que morreria em 1802. Em Londres, foi protegido pelo gravador florentino Francesco Bartolozzi, que retratou num belíssimo quadro actualmente na Academia de Veneza.

Por recomendação de Bartolozzi, estabeleceu-se em Portugal em 1803, tendo vivido em Portugal até 1810, onde continuou a sua actividade de retratista da aristocracia e personagens importantes do país, tendo pintado também, em 1805, Laura Junot  por um brevíssimo momento embaixatriz de França em Lisboa, a célebre memorialista Duquesa de Abrantes. Em 1812 estava de novo em Londres, residindo mais tarde sucessivamente em Paris, Veneza e Nápoles, até que por volta de 1820 estabeleceu-se definitivamente em Roma.

Em 1837 foi nomeado para a Academia de São Lucas, à qual se afeiçoou tanto que lhe deixou em testamento todos os seus bens, para que com esse dinheiro se instituísse um prémio para jovens artistas.

Fonte:
Enciclopedia Italiana, Vol.XXVI

terça-feira, 9 de maio de 2017

Biografia de Rembrandt Peale

Importante pintor americano de meados do século XIX.
Nasceu no Condado de Bucks, Pensilvânia, E.U.A. em 22 de Fevereiro de 1778;
morreu em Filadélfia, Pensilvânia, E.U.A. em 3 de Outubro de 1867.

Pintor, director de Museu e escritor, filho do artista e proprietário de museus Charles Wilson Peale e da sua primeira mulher Rachel Brewer, irmão de Rubens, Raphaelle e Titian Peale, começou a pintar muito novo terminando um Auto-retrato aos 13 anos de idade e um retrato de George Washington (1795) aos 17.

A carreira de Rembrandt Peale desenvolveu-se em quatro períodos. O primeiro inclui os seus primeiros retratos, como o simpático Rubens Peale with a Geranium, de 1801 e os dois retratos de Thomas Jefferson, de 1800 e 1805, que mostram a influência  do seu pai e dos estudos realizados em Inglaterra, na Royal Academy, em 1802 e 1803. Os quadros pintados a seguir ao seu regresso de França em 1810 são mais cuidados e neo-clássicos devido à influência de Jacques-Louis David. Deste período são os retratos de Joseph Louis Gay-Lussac, de 1810, Isaac McKim, de 1815 e o do General Samuel Smith, de 1817.

No terceiro período, Rembrant Peale tentou estabelecer a sua reputação artística com a produção de obras de carácter histórico, como The Roman Daughter, de 1811, ou heróico como o George Washington, Patriae Pater, de 1824, e o ambicioso The Court of Death, de 1820 assim como com os retratos sumptuosos das suas filhas, The Sisters, Eleanor and Rosalba Pearle, de 1826. No começo da década de 40 Rembrandt Peale concentrou-se na produção de cópias do seu Washington, tirando partido de ser o único artista existente na época que tinha pintado o presidente ao vivo, e de obras dos Mestres antigos.

Aspirando permanentemente à grandeza, a vida de Rembrandt foi marcada pelo seu carácter itinerante, de Filadelfia para Baltimore, de Nova Iorque para Boston, passando por Washington e Charleston, à procura de encomendas, e para a Europa à procura de inspiração. 

De 1795 a 1798, foi a Charleston, Baltimore e Nova Iorque realizando retratos para o Museu do pai. Em 1798 e 1799 trabalhou como artista itinerante no estado do Maryland. Em 1801 ajudou o pai a desenterrar as ossadas de mamíferos pré-históricos, em Newburgh, no estado de Nova Iorque, que levou para serem exibidos a Inglaterra no ano seguinte. Em 1808 e de novo em 1809 e 1810 esteve em Paris, pintando artistas e cientistas franceses para a colecção paterna. De 1813 a 1822 dirigiu o Museu de Baltimore, onde já tinha estado de 1796 a 1798, mas a instituição foi desleixada devido ao seu interesse em introduzir a iluminação a gás na cidade. Esteve em Itália de 1828 a 1830, onde copiou quadros dos antigos Mestres italianos, para coleccionadores americanos, e em 1832 - 1833 esteve de novo em Inglaterra.

Escreveu poesia, relatos de viagem, como as suas Notes on Italy, de 1835 e um manual de desenho. Em 1839 publicou The Portfolio of an Artist, e de 1855 a 1859 escreveu as suas recordações no The Crayon: A Journal Devoted to the Graphic Arts and the Literature Related to Them, publicado em Nova Iorque de 1855 a 1861.

Apesar da desigualdade do seu trabalho e de algum sentimentalismo, sobretudo nos seus últimos retratos, Peale é um importante artista americano de meados do século XIX. brilhante na utilização da côr e senhor de uma técnica invejável, revela os seus dons extraordinários nos retratos da família e de amigos. As muitas réplicas do seu Washington e o seu monumental quadro Washington before Baltimore, pintado de 1824 a 1825, tornaram-se obras de referência da pintura americana, assim como exemplos do neo-classicismo americano

Fonte:
Jane Turner (ed.), The Dictionary of Art, Vol. 24, Nova Iorque e Londres, Grove, 1996, págs. 303-304.




domingo, 7 de maio de 2017

Biografia de Jean-Marc Nattier

Pintor rococo francês 

Nasceu em Paris (França),  em 17 de Março de 1685;
e morreu na mesma cidade em 7 de Novembro de 1766.

Foi instruído inicialmente pelo seu pai, o retratista Marc Nattier (c.1642-1705), e depois pelo seu tio, o pintor histórico Jean Jouvenet. Inscreveu-se na Academia Real em 1703, tendo realizado uma série de desenhos com base nas pinturas de Peter Paul Rubens, expostas no palácio do Luxemburgo e conhecidas como o ciclo de Maria de Médicis. A publicação em 1710 de gravuras baseados nestes  desenhos tornou Nattier famoso. Em 1715 viajou para Amesterdão, tendo pintado o retrato do imperador russo Pedro I, e de sua mulher a imperatriz Catarina, recusou a oferta do Czar para se radicar na Rússia.

Nattier desejava especializar-se na pintura histórica, mas a crise financeira de 1720 em França, provocada pelos esquemas de John Law,  arruinou-o, sendo obrigado a virar-se para o retrato, devido a ser uma actividade mais lucrativa. Decidiu então re... o género do retrato alegórico, em que o retratado era apresentado enquanto uma figura mitológica. Os retratos graciosos de damas da corte de Luís XV de acordo com este método tornaram-se moda, até porque o retratado podia ser bastante  beneficiado sem perder a verosimilhança. Devido ao seu sucesso, tornou-se retratista oficial das quatro filhas do rei de França em 1745.Nesta função pintou as princesas várias vezes em inumeráveis situações.

Fonte:
Enciclopédia Britânica

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Biografia de Paul Nash

Pintor surrealista inglês. Um dos mais importantes
pintores britânicos do século XX.

Nasceu em Londres, em 11 de Maio de 1889; 
morreu em Boscombe, Hantshire, Inglaterra em 11 de Julho de 1946.

Filho dum famoso advogado londrino, estudou, na St. Paul's School e em 1910, durante um curto período de tempo na Slade School of Art, de Londres, sendo de facto um autodidacta. A sua primeira influência foi o pintor e gravador, politicamente radical, de finais do século XVIII e princípios do século XIX, William Blake. De facto, de 1910 a 1914 deu pouca atenção ao Pós-impressionismo e aos modernos movimentos artísiticos londrinos.
No princípio da Primeira Guerra Mundial, Nash alistou-se nos Artists Rifles, e foi enviado para a frente ocidental. Em 1916 foi promovido a tenente no regimento de Hampshire, tendo sido reformado devido a um acidente em Maio de 1917. Tendo desenhado muitos esboços durante o serviço em campanha, pintou uma série de quadros, em estilo abstracto e denotando influências cubistas, sobre a guerra que foram muito bem recebidos pela crítica, quando expostos em finais do ano. Devido a esta exposição o chefe da Repartição de Propaganda de Guerra recrutou Nash como artista de guerra, tendo-o enviado de regresso à frente ocidental em Novembro de 1917, onde pintou uma nova série de quadros. Mas o trabalho não lhe agradou, já que não se considerava um artista, mas sim «um mensageiro que transmite as declarações dos combatentes para aqueles que querem que a guerra continue para sempre. A minha mensagem será fraca e inconsistente mas será verdadeira, esperando que faça arder as suas miseráveis almas».

Depois da guerra, Nash experimentou o surrealismo e o abstraccionismo, tendo passado a ensinar no Royal College of Art, trabalhando também como designer, gravador e ilustrador de livros. Em 1933 foi um dos principais impulsionadores da organização da Unit One, grupo de artistas ingleses que incluía Ben Nicholson, Barbara Hepworth e Henry Moore, e que defendia os aspectos formais da arte. Em 1936 ajudou a organizar a primeira grande exposição surrealista de Londres, a International Surrealist Exhibition, em que também participou.

Durante a Segunda Guerra Mundial Paul Nash integrou o Ministério de Informação e o da Aviação, tendo pintado o célebre Battle of Britain e Totes Meer (Mar Morto).


Fonte:
Jane Turner (ed.), The Dictionary of Art, Nova Iorque e Londres, Grove, 1996

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Biografia de Ernest Meissonier

Pintor histórico francês.
Nasceu em 21 de Fevereiro de 1815, em Lião, França

Morreu em 31 de Janeiro de 1891, em Paris

Tendo como nomes próprios Jean-Louis-Ernest, Meissonier foi um pintor e ilustrador francês de assuntos militares e históricos, especializando-se em batalhas Napoleónicas.  

Meissonier começou por estudar com Jules Potier, então a trabalhar no estúdio de Léon Cogniet.  Nos seus primeiros anos realizou muitas ilustrações para os editores Curmer e Hetzel, mas a partir de 1834, quando completou 19 anos, expôs  regularmente no Salão francês, tendo recebido, a partir de 1840 e ao longo dos tempos, as mais importantes condecorações e prémios oficiais. A maioria das pinturas de Meissonier têm uma dimensão reduzida e como tema principal assuntos militares ou pessoas inseridas num enquadramento histórico. 

A técnica minuciosa e escrupulosa de Meissonier teve origem fundamentalmente no estudo dos pintores holandeses do Século XVII, mas o tipo de aproximação documental dos seus estudos preparatórios, tanto dos trajes como das armaduras, assim como a sua observação da natureza (como a sua análise sistemática dos movimentos dos cavalos) liga-o ao Século XIX.  Entre os seus principais trabalhos estão Napoleão III em Solferino, de 1863,  e 1814,  de 1864, ambos comemorando  campanhas militares heróicas. Mas Meissonier não deixou de capturar também os horrores da guerra em trabalhos como Lembrança da guerra civil,  de 1848-49, quadro que descreve o momento em que os insurrectos parisienses de 1848 foram dizimados nas barricadas pela Guarda Nacional Republicana

Fonte:
Enciclopédia Britânica

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Biografia de Cesare Maccari

Pintor histórico italiano.

Nasceu em Siena, Itália, em 1840; 
morreu em Roma em 1919.

Estudou decoração no Instituto de Arte de Siena tendo observado o escultor Tito Sarrocchi (1824-1900) a trabalhar no seu estúdio. Tendo-se tornado amigo de Luigi Mussini (1813-1888), pintor que se estabeleceu em Siena em 1852, ao ser nomeado director da Academia de Belas Artes, e de Alessandro Franchi (1838-1914), um especialista na execução de frescos, decidiu dedicar-se à pintura. Ganhou uma bolsa de estudo e foi estudar para Roma, tendo ganho notoriedade com Fabiola, começando depois a trabalhar na decoração da igreja do Sudário.

De 1872 a 1882 trabalhou para comerciantes de arte famosos, como o parisiense Adolphe Goupil (1806-1893), tendo travado conhecimento em Paris com o famoso pintor espanhol Mariano Fortuny y Marsal (1838-1874). 

De 1882 a 1888 pintou frescos com cenas da história romana na «salla giala» do Senado de Roma. No Palazzo Pubblico de Siena - o actual Museu Cívico -  pintou também a fresco, em 1887, «A apresentação do Plebiscito a Vítor Manuel II» e «O funeral de Vítor Manuel II». 

Maccari esteve em contacto com o pintor Nino Costa (1826-1903), chefe do grupo «I XXV della Canpagna Romana» e participou nas exposições organizadas por paisagistas em Roma. É possível que também tenha exposto com o grupo, também de paisagistas, «In Arte Libertas» em Londres no ano de 1890. Realizou também alguns trabalhos para a Igreja tendo trabalhado em Génova, de 1886 a 1889, e na Basílica de Loreto, em 1888/89 e em 1907. Neste último trabalho adoptou um estilo que combinava o neo-renascentismo, com elementos venezianos e realistas.

Fonte:
Jane Turner (ed.), The Dictionary of Art, Londres e Nova Iorque, Grove, 1996, pág. 869.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Adhemar Ferreira da Silva

Adhemar Ferreira da Silva (1927-2001) atleta paulista, foi o primeiro bicampeão olímpico, em salto triplo do país. Sua primeira competição foi o Troféu Brasil, obtendo a marca de 13,05 metros. Foi tricampeão pan-americano e pentacampeão sul-americano.
Foi dez vezes campeão brasileiro e colecionou mais de 40 títulos internacionais. Adehemar Ferreira da Silva, bicampeão olímpico na modalidade salto triplo, nasceu em 29 de setembro de 1927, na cidade de São Paulo, no bairro da Casa Verde. Filho de um ferroviário e de uma cozinheira, começou a trabalhar cedo para ajudar nas despesas domésticas.
Adhemar Ferreira da Silva entra pela primeira vez em uma pista de atletismo, com 18 anos, levado por um amigo. Entusiasma-se e inicia os treinamentos, na hora do almoço, no intervalo do trabalho. Sua primeira competição foi o Troféu Brasil em 1947, obtendo a marca de 13,05 metros. Adhemar Ferreira da Silva destaca-se no salto triplo, modalidade da qual se torna recordista sul-americano e mundial. Representa o Brasil nas Olimpíadas de Helsinque, na Finlândia, em 1952, em que conquista a medalha de ouro.
Numa mesma tarde bate quatro vezes o recorde olímpico, chegando a saltar 16,22 m, marca que supera em 21 cm o recorde anterior, de 16,01 m. Foi pentacampeão sul americano e tricampeão pan americano (1951,1955 e 1959). Em 1956, em Melbourne, na Austrália, fica outra vez com o ouro e estabelece novo recorde de 16,35 m. Venceu o campeonato luso brasileiro em Lisboa no ano de 1960. Adhemar foi atleta do São Paulo Futebol Clube e do Clube de Regatas Vasco da Gama. Encerra sua carreira, na prova realizada no Complexo Esportivo do Maracanã, no Rio de Janeiro, no dia 1 de outubro de 1960.
No mesmo ano, tuberculoso, é desclassificado nos Jogos de Roma e desde então, não participa mais de Olimpíadas. Forma-se em educação física na Escola do Exército, em direito na Universidade do Brasil e em relações públicas. Entre 1964 e 1967 é adido cultural na Embaixada Brasileira em Lagos, na Nigéria. Depois de anos trabalhando para o Estado, em atividades ligadas ao atletismo, assume em 1996 o cargo de coordenador da área de esportes das Faculdades Santana, em São Paulo. Adhemar Ferreira da Silva morreu no dia 12 de janeiro de 2001.

Biografia retirada de e-biografias

domingo, 23 de abril de 2017

Anderson Silva

Anderson Silva (1975) é um lutador brasileiro, recordista de vitórias da UFC- Ultimate Fighting Championship. Considerado o melhor do mundo, foi campeão na categoria pesos médios. Sua especialidade é o Muay Thai.

Anderson Silva nasceu em São Paulo. Desde cedo, já treinava Taekwondo e tornou-se faixa preta com 18 anos. Também lutou Jiu-jitsu. Tentou ser jogador de futebol, quando fez um teste para jogar no Corinthians.

Sua trajetória no UFC foi vitoriosa. Ganhou inicialmente o evento chamado GP em duas lutas seguidas, sendo campeão. Depois ganhou várias lutas no Mecca, outro evento famoso mundialmente. Participou do Shooto, credenciando-se para ganhar o cinturão numa luta com o japonês Hayato Sakurai. Em 2001, conquistou seu primeiro cinturão lutando contra outro japonês Hayato Sakurai. No Pride, sofreu uma derrota, mas posteriormente, ganhou o cinturão do Cage Rage 8.

Fez sua primeira luta no UFC em 2006. Ganhou o cinturão vencendo a segunda luta contra Rich Franklin na categoria pesos médios. O lutador tornou-se imbatível no UFC. Sua luta mais difícil para manter o cinturão foi contra Chael Sonnen, vencendo no quinto assalto.

Em 2011, ganhou o prêmio “Nocaute do Ano”, por ter nocauteado Vitor Belfort ainda no primeiro assalto. É o recordista de vitórias pela UFC.

Notícia retirada daqui

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Helen Willis Moody


Tenista norte-americana de fama mundial e uma das mais extraordinárias de todos os tempos. Arrecadou o mais brilhante palmarés da história do ténis, até à data. Foi campeã olímpica em 1924. Ganhou sete vezes o Open dos EUA (1923, 1924, 1925, 1927, 1928, 1929 e 1931).Oito vezes Wimbledon: (1927, 1928, 1929, 1930, 1932, 1933, 1935 e 1938) e quatro vezes Roland Garros. Teve ainda mais prémios na modalidade jogando em pares. Foi nove vezes campeã do mundo. Depois de abandonar o ténis dedicou-se à pintura. Casou em 1939 e acrescentou ao nome o apelido Roark, mas ficou sempre conhecida pelo nome de solteira. Uma biografia curta numa mulher de fibra cheia de determinação e sucesso.

Informação retirada daqui

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Ademar Ferreira da Silva

Atleta paulista. Bicampeão olímpico na modalidade salto triplo. Nascido em 29 de setembro de 1927 na cidade de São Paulo, no bairro da Casa Verde. Filho de um ferroviário e de uma cozinheira, começa a trabalhar cedo para reforçar o orçamento doméstico e só aos 18 anos entra pela primeira vez em uma pista de atletismo, levado por um amigo. Entusiasma-se e passa a treinar duas ou três vezes por semana, na hora do almoço, por causa do trabalho. Destaca-se no salto triplo, modalidade da qual se torna recordista sul-americano e mundial. Representa o Brasil nas Olimpíadas de Helsinque, na Finlândia, em 1952, em que conquista uma medalha de ouro. Numa mesma tarde bate quatro vezes o recorde olímpico, chegando a saltar 16,22 m, marca que supera em 21 cm o recorde anterior, de 16,01 m (o atual é 18,09 m, estabelecido em 1996, em Atlanta). Quatro anos mais tarde, em Melbourne, na Austrália, fica outra vez com o ouro e estabelece novo recorde, de 16,35 m. Em 1960, tuberculoso, é desclassificado nos Jogos de Roma e, desde então, não participa mais de Olimpíadas. Forma-se em educação física, em direito e em relações públicas. Entre 1964 e 1967 é adido cultural na Embaixada Brasileira em Lagos, na Nigéria. Depois de anos trabalhando para o Estado, em atividades ligadas ao atletismo, assume em 1996 o cargo de coordenador da área de esportes das Faculdades Santana, em São Paulo. 

Informação retirada daqui

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Ademir Marques Menezes

Jogador de futebol, conhecido como Ademir Queixada, nasceu no Recife, Pernambuco, em 1922. Foi jogador do Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, campeão carioca várias vezes. 

Era considerado um dos melhores centroavantes brasileiros e integrou a seleção que foi vice-campeão da Copa do Mundo de 1950. Morreu no Rio de Janeiro, em 1996.

Informação retirada daqui

terça-feira, 11 de abril de 2017

Marta Graham (1894-1991)


Norte-americana, foi um dos mitos da dança moderna. Nasceu em Nova Iorque, numa família rica, e a sua trajectória artística passou por experiências várias, onde aliou a escola clássica com a coreografia moderna. De 1913 a1916 estuda teatro e dança. Deu o primeiro recital, em Abril, no 48th Street Theatre de Nova Iorque. Criou a sua própria companhia de bailado, em 1930, e em 1938 fundou a Martha Graham School of Contemporary Dance, por onde passaram futuros grandes bailarinos. Em 1944 criou o bailado Appalachiam Spring, em colaboração com Isamu Noguchi, com quem viria a trabalhar largos anos, criando coreografias famosas. Casou em 1948 com Erick Hawkins, também ligado ao bailado. Os seus temas favoritos foram a recreação de temas mitológicos e clássicos, como “Clistemnestra”, 1958 e “Fedra”, 1962. Uma das suas coreografias mais conhecidas é “Lúcifer”, que, em 1975 escreveu para Margot Fonteyn e Rudolfo Nureyev, então o par número um do bailado mundial. Quando faleceu aos 96 anos era já uma "imortal".

Biografia retirada daqui

domingo, 9 de abril de 2017

Carlota Grisi (1819-1899)


Bailarina clássica italiana. Estudou na Escola de Ballet do Teatro La Scala de Milão. Ali conheceu Perrot, em 1825, que foi seu mestre, par de dança e depois marido. Carlota foi a primeira intérprete do bailado romântico, “Giselle”, um dos mais conhecidos bailados de todos os tempos. Tudo começou quando o poeta e crítico Gautier se apaixonou por Carlota Grisi então casada com Perrot. Resolveu criar para ela um espectáculo que fosse a encarnação do ideal artístico do Romantismo, tendo como tema o amor que mata inspirado em lendas alemãs. A obra é fruto de uma concepção conjunta de Théophile Gautier, Jean Coralli e Vernoy de Saint-Georges, com música de Adolphe Adam e coreografia de Coralli e Jules Perrot. "Giselle" é uma tragédia romântica. O bailado composto em 1841, conta é a história de uma camponesa que se apaixona por um lenhador que, na verdade, é um príncipe disfarçado. Tudo acaba em tragédia. Carlota Grisi foi primeira bailarina em todos os grandes bailados da época. Viajou pela Europa com enorme sucesso e viveu na Rússia de 1850 a 1853. Em 1854 retirou-se de cena.

Biografia retirada daqui

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Carolina Otero Iglesias


A Bela Otero, de seu nome Carolina Otero Iglesias, foi uma bailarina espanhola, lindíssima, também conhecida como a "sereia do suicídio". A sua vida fez correr rios de tinta e de sangue. Foi amada por seis reis: Afonso XIII, Leopoldo II da Bélgica, Nicolau II da Rússia, o futuro rei Eduardo VIII (duque de Windsor), Alberto I do Mónaco e Guilherme II da Alemanha, bem como pelo multimilionário Kennedy, pai do presidente dos EUA assassinado. O banqueiro Vanderbilt pediu-lhe: "Arruina-me, mas não me abandones". Esta espanhola, nascida pobre perto de Pontevedra, em 1868, seria considerada a mais famosa bailarina europeia, do início do séc. XX. Paris vivia a belle époque. A Bela Otero percorreu o mundo inteiro. Os jornais davam constantes notícias dos seus amores. Tinha o vício do jogo e perdeu fortunas no casino de Monte Carlo. Saturada da vida mundana, em 1944, retirou-se para proteger os mais necessitados de Niza (Espanha). Fez testamento a favor dos pobres, embora conste que morreu na penúria. Deixou um diário com o título Memórias.

Informação retirada daqui

terça-feira, 28 de março de 2017

Paula Bravo

Determinada na sua actividade como pintora, Paula Bravo sempre mostrou aptidões no mundo das Belas Artes; mesmo quando jovem, o universo e a panóplia das cores já a fascinavam. Nascida em Lourenço Marques, Moçambique, em Abril de 1956, vem para Portugal em 1977, acabando por ficar em Santo André, cidade do município alentejano de Santiago do Cacém. Exímia na técnica do Bristol, consegue transmitir, com as suas próprias mãos, toda a beleza dos seus trabalhos, recriando neles um sentimento que se esconde algures na sua alma. A sua obra escontra-se espalhada por numerosas colecções particulares e oficiais. Foi recentemente convidada a expor os seus trabalhos no Brasil, onde a crítica especializada lhe teceu os maiores elogios.

Biografia retirada de O Leme

sábado, 25 de março de 2017

Augusto Bobone

Nasceu em 1852;
morreu em 1910.

Estudou na Academia de Belas Artes de Lisboa, tendo concluído o curso com louvor. Tendo ficado, por motivo de herança, com o antigo e muito conhecido «Atelier Fillon» de fotografia, foi declarado fotógrafo das Casas Reais de Portugal e Espanha

Ganhou vários Grandes Prémios, diplomas e medalhas de ouro e prata em exposições realizadas um pouco por todo o mundo. Ficou conhecido sobretudo pelas suas reproduções de obras de arte.

Casou com Elisa do Amaral, tendo nascido do matrimónio Octávio Bobone, nascido em 11 de Dezembro de 1894, responsável da fotografia de filmes como a «Canção de Lisboa».

Notícia retirada daqui

quarta-feira, 22 de março de 2017

Joaquim Rodrigues Braga

Nasceu em 1793;
morreu em 1853.

Conhecido por Braga Pintor, estudou em Roma à sua custa na Academia de São Lucas, por volta de 1822, ao mesmo tempo que António Manuel Fonseca, António Jacinto Xavier Cabral e Domingos Carvalho Pereira, também pintores.

Em 1824 trabalhou em Lisboa, trabalhando para D. João VI e para D. Miguel. Em 1835 voltou para o Porto onde dava lições particulares.

Foi escolhido em 1837 pelo pintor João Baptista Ribeiro para Professor de Pintura de História da recém criada Academia Portuense de Belas Artes, tendo sido seu director interino em 1845. Dedicou-se sobretudo ao professorado, já que lhe não são conhecidas muitas obras posteriores a 1837.

As suas obras incluem A Degolação de São João Baptista, que foi premiado em Roma, um S. João Menino que pintou para a Capela Real, um retrato de D. João VI, de meio corpo assim como uma miniatura do mesmo monarca, obras que citou num requerimento remetido ao futuro duque de Palmela e publicado por Sousa Viterbo, para além dos retratos de D. Miguel (1828) e de José da Silva Passos com sua mulher e filhos, e o Cerco de Lisboa por D. Afonso Henriques, que se encontram no Museu Nacional de Soares dos Reis, do Porto. No Palácio de Mafra existem quadros seus descrevendo caçadas de D. Miguel.

Notícia retirada daqui

domingo, 19 de março de 2017

Ernesto Ferreira Condeixa

Pintor  Nasceu em Lisboa,  em 20 de Fevereiro de 1858; e morreu no mesmo local em 2 de Agosto de 1933.

Discípulo de Miguel Ângelo Lupi, e de Cabanel em Paris, quando residiu nessa cidade enquanto bolseiro.

Foi membro do Conselho de Arte e Arqueologia, professor e director da Escola Nacional de Belas- Artes. A sua pintura foi consagrada a temas históricos, sendo os seus dois quadros mais conhecidos D. João II ante o cadáver do filho, e Beija-mão a Leonor Teles. Sendo também de assinalar, devido ao valor apreciável do movimento oblíquo da composição, o quadro A Conquista de Malaca.



Fonte:
Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, vol. 5.º
José-Augusto França, Museu Militar: Pintura e Escultura, CNCDP, 1996

quinta-feira, 16 de março de 2017

Maria Keil


Pintora, ilustradora e ceramista portuguesa, nascida em Silves (Algarve). Frequentou Pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, tendo sido aluna do pintor Veloso Salgado. Casou aos 33 anos com o arquitecto Francisco Keil do Amaral, neto de Alfredo Keil. O casal teve um filho também arquitecto. Maria Keil pintou naturezas mortas e retratos ainda muito jovem e em 1937 participou no Pavilhão de Portugal na Exposição Internacional de Paris. Em 1940 participou na Exposição do Mundo Português com uma pintura mural. Recebeu em 1941 o Prémio Revelação Amadeu de Sousa Cardoso pelo "Auto-retrato". No arranque do Metropolitano de Lisboa nas décadas de 50 e 60 do séc. XX Maria Keil começou a desenvolver intenso trabalho como criadora de painéis de azulejos para a decoração das estações. A ela se deve a recuperação, em espaços públicos, do azulejo que muitos consideravam arte menor. A sua criatividade e simpatia granjearam-lhe ser conhecida como "A menina dos azulejos". Trabalhou para dezanove estações e fez renascer a fábrica Viúva Lamego, então em crise. É também ilustradora de livros infantis. Participou em diversas exposições em Portugal e estrangeiro. Artista polivalente também deixou a sua marca em selos de correio no Ano Internacional da Mulher. Em 1989 o Museu do Azulejo dedicou-lhe uma retrospectiva. Com mais de oitenta anos ainda trabalha e, em 1997 decidiu expor fotografias, sob o tema "Roupa a secar no Bairro Alto". Pelas entrevistas e conversas Maria Keil revela-se para lá da artista, uma pessoa da maior simpatia, da mais absoluta simplicidade e de uma sinceridade sem rodeios.

Biografia retirada daqui

segunda-feira, 13 de março de 2017

Maria Emília Roque Gameiro Martins Barata

Pintora portuguesa, nascida na Amadora e discípula de Lily Possoz. Era filha do aguarelista Alfredo Roque Gameiro e de Assunção Roque Gameiro, e irmã de Raquel, Manuel, Helena e Rui Roque Gameiro, numa família de artistas. Assinou como "Mamia Roque Gameiro". Em 1923 realizou a primeira exposição individual, em Lisboa e desde logo se salientou obtendo boas críticas. Casou com o pintor Martins Barata. Deixou o seu traço por inúmeros livros infantis e publicações periódicas femininas e para crianças. Foi uma primorosa miniaturista. Também deixou quadros a óleo e guache. Participou na16ª Exposição da Sociedade de Belas Artes.

Informação retirada daqui

sexta-feira, 10 de março de 2017

Helena Roque Gameiro Leitão de Barros

Pintora e professora portuguesa, nasceu em Lisboa, numa família de artistas de renome. Aos catorze anos já pintava ao lado do pai Alfredo Roque Gameiro. Foi professora de Artes Decorativas na Escola António Arroio, em Lisboa. Paralelamente pintou e expôs na Sociedade Nacional de Belas Artes aguarelas que a notabilizaram, Em 1917 recebeu a primeira medalha por uma aguarela pela SNBL. Acompanhou o pai ao Brasil em 1920, e expôs com êxito. Casou com o conhecido realizador de cinema José Leitão de Barros (1896-1967). Podemos admirar as suas aguarelas em diversos museus portugueses.

Informação retirada daqui

quinta-feira, 2 de março de 2017

Biografia de Maria Helena Vieira da Silva

Pintora figurativa e abstracta portuguesa radicada em França e naturalizada francesa. Nasceu na noite de Stº António, filha de Marcos e Maria da Graça Vieira da Silva, pai embaixador, foi educada pela mãe após a morte do pai, quando contava apenas três anos. Estudou pintura em Portugal em 1919 e frequentou Belas Artes em Paris, a partir de 1928, data em que passou a viver com a mãe na Cidade Luz. Casou com o pintor húngaro Arpad Szenes, numa forte relação e veneração, em 1930 paixão que só foi interrompia com a morte dele em 1985. Maria Helena expôs pela primeira vez no Salon de Paris, em 1933 e em 1935 expôs pela primeira vez em Portugal. Viveu no Brasil de 1940 a1947, dado o marido ser judeu e para fugir as perseguições nazis. O Brasil recebeu-os de braços abertos e Paris também, quando regressou. O Estado francês comprou-lhe diversos quadros, nomeadamente "La Bibliothèque" e a famosíssima "La Partie d'Écheques". Vieira da Silva é provavelmente a mais famosas e cotada pintora portuguesa já desaparecida. Deixou também tapeçarias, vitrais para a cidade de Reims, gravuras, ilustrações de livros infantis e cenários de teatro. Maria Helena Vieira da Silva dedicou a sua vida à pintura e só depois da democracia em Portugal, em 1974 foi mais divulgada a sua obra, esquecida e pouco reconhecida durante o regime do Estado Novo. No entanto, o professor de arte José Augusto França escreveu, em 1958 uma monografia essencial sobre a pintora. Em 1960 França concedeu-lhe o grau de cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras. O seu cartaz do 25 de Abril é conhecido de toda a gente, com o título "A Poesia está na Rua". Em 1977 recebeu a mais alta condecoração, não militar, portuguesa - a grã-cruz da Ordem de Santiago da Espada. Lisboa tem, no Jardim das Amoreiras, um museu que lhe é dedicado, com o seu nome. Entre outros prémios a pintora recebeu, em 1961 o Prémio da Bienal de São Paulo. A estação de Metro da Cidade Universitária tem azulejos da sua autoria e a estação do Rato (Lisboa) ostenta um painel de azulejos também seu. Do lado oposto, no mesmo átrio, outro painel de seu marido, como que eternizando aquele amor de cinquenta e seis anos de união perfeita.

Biografia retirada daqui

quarta-feira, 1 de março de 2017

Biografia de Francisco Vieira (Vieira Portuense)

n.      13 de maio de 1765.
f.       2 de maio de 1805.

Pintor histórico e de paisagem, lente de desenho na Academia do Porto. Era cognominado Vieira Portuense, por ter nascido nessa cidade, e para se diferençar doutro seu afamado contemporâneo, conhecido pelo nome de Vieira Lusitano, por ter nascido em Lisboa. 

Nasceu portanto, no Porto a 13 de maio de 1765, faleceu na ilha da Madeira a 2 de maio de 1805. Era filho de Domingos Francisco Vieira e de Maria Joaquina.

Seu pai reunia à profissão da arte da pintura, em que dizem não era dos de menos conta, segundo a frase tradicional. Começando desde criança a dar mostras da grande vocação para o desenho e para a pintura, o pai logo que o viu instruído nas primeiras letras e tendo-o provavelmente iniciado nos rudimentos da arte, entregou-o à direcção de João Grama, celebre pintor, que se supõe de origem alemã, mas nascido em Portugal. Este artista foi quem primeiro guiou o jovem Vieira no estudo da pintura. Mais tarde, achando-se no Porto com outro notável pintor que primava no género das paisagens, João Pilenan ou Pillement, de nação francesa, recebeu também algumas lições o moço Vieira. Este, porém, não se contentando com a instrução já adquirida e desejando aprofundá-la, resolveu em vez da frequentar a aula publica de desenho, que por essa tempo existia no Porto, vir para Lisboa em 1784 matricular-se na outra aula da mesma espécie, que pouco antes fora estabelecida pala rainha D. Maria I, e da que era director e professor Joaquim Manuel da Rocha. Esta escola de desenho de figura e história funcionava com outra de arquitectura civil, num pavimento baixo do convento dos Caetanos, onde está há muitos anos instalado o Conservatório. Provavelmente a ideia do moço estudante era obter lugar entre os alunos que por concessão do governo e como pensionistas do Estado deviam partir para Roma, mas ou porque lhe faltassem padrinhos ou porque já estivesse preenchida o numero dos escolhidos, Vieira não realizou como desejava aquele seu projecto. O que não pôde alcançar em Lisboa, conseguiu-o porém, no Porto, e a junta da direcção da Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro, tomando-o sob a sua protecção, mandou-lhe abonar, do seu cofre, a pensão anual de 300$000 reis para lhe ser paga durante o tempo que precisasse demorar-se em Roma até à conclusão dos seus estudos.

Em 1789 partiu para a Itália, e ao chegar àquela cidade, tratou de escolher mestre capaz de o guiar na carreira a que se destinava, e preferindo Domingos Corvi, desenhador de grande correcção mas de feio colorido, de cujas lições tirou grande proveito, e logo em 1791 obteve na academia romana um primeiro prémio em roupas. Para aumentar mais os seus conhecimentos artísticos, percorreu as principais cidades da Itália, visitando os seus mais notáveis edifícios e galerias, copiando para exercício as obras que mais entusiasmo lhe causavam, e deste modo formou uma grande quantidade de livros que trouxe consigo quando recolheu a Portugal, e que eram evidentes provas do seu estudo e da sua aplicação. Tinha ele adoptado de preferência, por mais conforme ao seu gosto, a maneira e estilo mimoso e delicado de Albano e de Guido Reni, mas querendo estudar também o colorido de Corregio, dirigiu-se a Parma para copiar o magnifico quadro de S. Jerónimo que existe na galeria publica da referida cidade, e que é considerado uma das melhores produções do exímio chefe da escola lombarda. A cópia feita por Vieira é qualificada de excelente, mereceu os melhores elogios de Taborda e do conde de Raczynski. Depois de ter estado em casa do visconde de Balsemão, passou para a galeria dos duques de Palmela, de que faz parte há muitos anos. Durante a sua permanência em Parma, recebeu dos membros da academia grandes provas de consideração pelo seu talento. Foi ali recebido pelas famílias da alta aristocracia, chegando a dar lições de desenho à filha do grão-duque, para quem naturalmente o jovem pintor português não foi indiferente, e tanto mais que chegou a retratá-la, e tão perfeito ficou o retrato, que lhe deu fama entre a primeira sociedade de Parma. Fez mais retratos, pelos quais auferiu bons proventos. Voltando a Roma em 1791, demorou-se ali três anos ocupado sempre no estudo dos grandes mestres. 

Em 1797 saiu de Roma, e na companhia de Bartolomeu António Calixto, pensionista na Casa Pia, que também ali fora aperfeiçoar-se, percorreram juntos parte da Alemanha, até que Calixto veio para Lisboa, e Vieira ficou em Dresden, fazendo estudos na notável galeria de pintura daquela cidade, da qual copiou os objectos que mais lhe prenderam a atenção. Passou a Hamburgo e depois a Londres, onde se demorou até ao ano de 1801. Travou conhecimento nesta grande cidade com o insigne gravador Bartholozzi, tomando dele algumas lições de gravura; essas relações tornaram-se de íntima amizade, casando mais tarde com uma viúva italiana, moça e rica, que dizem pertencer à família de Bartholozzi. Fez o retrato deste artista, e começou então a gravar a água-forte um grande trabalho, que por embaraços posteriores não chegou a concluir. Em Londres pintou o Viriato, quadro de notável execução, que ofereceu ao príncipe regente D. João, mais tarde rei D. João VI, e foi colocado na galeria do palácio da Ajuda. Desse quadro abriu Bartholozzi uma bela estampa, assim como outras de diversas composições do artista português. Para obsequiar o ministro de Portugal naquela corte, D. João de Almeida MeIo e Castro, depois conde das Galveias, a quem já conhecera em Roma, e lhe devera muitos favores, compôs também um primoroso quadro Nossa Senhora da Piedade ou do Descimento da Cruz, o qual era destinado à capela da embaixada portuguesa em Londres, mas depois foi colocado no oratório do paço das Necessidades. Ou nos últimos tempos da sua estada em Londres ou logo que regressou à pátria, foi Francisco Vieira, por proposta da Companhia das Vinhas do Alto Douro, provido no lugar de lente na aula de desenho no Porto, vago por ter sido dispensado desse exercício o professor António Fernandes Jácome. tendo a nomeação a data de 20 de setembro de 1800, mas parece, que se chegou a tomar posse da cadeira, pouco tempo se demorou na sua regência, porque vem para Lisboa no princípio de 1801.

Nessa época D. Rodrigo de Sonsa Coutinho, depois conde de Linhares, sendo transferido da pasta da marinha para a da fazenda e nomeado inspector da regia oficina tipográfica, ampliou este estabelecimento, que recebeu então o nome de Imprensa Regia, e por decreto de 7 de dezembro do mesmo ano e pensou em fazer nela uma edição magnifica e luxuosa dos Lusíadas, ilustrada com estampas representativas dos passes mais notáveis do poema. Esse pensamento não chegou a realizar-se por circunstâncias imprevistas; entretanto, Francisco Vieira foi encarregado de fazer as composições, motivo porque veio a Lisboa onde se encontrou com Bartholozzi, que devia de executar as gravuras. Francisco Vieira chegou a fazer onze quadros ou esboços a óleo, de passes dos Lusíadas, que não chegaram a ser gravados, mas que foram adquiridos pelo duque de Palmela, passando a fazer parte da soberba galeria de pintura desta nobre casa. Estando o insigne artista em Lisboa em 1802, na ocasião em que tudo se preparava para solenizar com grandes festas a paz geral de Amiens, que fora assinada em 27 de março daquele ano, o senado da câmara lhe encomendou um quadro alegórico para a sumptuosa festividade que devia realizar-se na igreja de S. Domingos. Nesse quadro que Vieira executou com grande rapidez e que foi muito aplaudido, estava no centro a monarquia lusitana representada na figura duma gentil matrona com atributos adequados, tendo pendente sobre o peito o retrato do príncipe regente e servindo-lhe de cortejo outras figuras que representavam as virtudes e as artes igualmente caracterizados. Os ministros D. João de Almeida e visconde de Anadia, apreciando igualmente o mérito de Vieira, falaram a seu respeite ao príncipe regente, que a 28 de junho de 1802 assinou um decreto nomeando o artista primeiro pintor da real câmara com a pensão anual de 2.000$000 reis, permitindo-se lhe a acumulação deste com o emprego de lente da aula do Porto, e sendo-lhe cometida a obrigação de dirigir e executar juntamente com o seu colega Domingos António de Sequeira, a quem ficava em tudo e para tudo equiparado, as obras de pintura que se haviam de fazer no paço da Ajuda. Para se mostrar digno do alto conceito em que era tido e das mercês que lhe conferiam, compôs e em breve concluiu para a galeria real dois formosos quadros que por si sós bastariam para dar ao autor a reputação de abalizado pintor, e que representam, um o Desembarque de Vasco da Gama na índia, e outro D. Inês de Castro ajoelhada com os filhos perante o rei D. Afonso. Estes quadros foram depois levados com outras pinturas para e Rio de Janeiro, e dizem que ultimamente existiam numa sala do palácio de S. Cristóvão no chamado torreão de prata. Pelo mesmo tempo pintou ainda para o conde de Anadia um magnífico quadro, D. Filipa de Vilhena, que juntamente com outras produções de Vieira se admiraram naquela ilustre casa.

Demorando-se em Lisboa para atender a estes e outros trabalhos, não podia exercer o magistério no Porto, e por isso a regência da cadeira foi dada a seu pai Domingos Vieira, que desempenhou essas funções desde 1 de novembro de 1802 até 30 de junho de 1803, em que se reformaram os estudos na cidade do Porto, ceando-se a Academia de Marinha e Comercio e incorporando-se nela a antiga aula de desenho, que passou a denominar-se Academia de Desenho e Pintura. A aula foi solenemente inaugurada por Vieira, em cujo acto pronunciou o seguinte discurso, que em 1803 se publicou em Lisboa: Discurso feito na abertura da Academia de desenho e pintura na cidade do Porto, por Francisco Vieira Júnior, lente da mesma academia. No resto desse ano e por todo o seguinte de 1804, foi, segundo parece, efectivo na regência da cadeira, dividindo porém o tempo entre os cuidados do ensino e a execução das obras de arte, a que por obrigação do serviço ou por encomendas particulares tinha de satisfazer, e ocupava-se na composição dum quadro em que representava Duarte Pacheco, Achilles Lusitano, defendendo contra o Comorim o Passo de Cambaldo destinado a ornar a casa das Descobertas no palácio de Mafra, quando foi acometido da grave enfermidade, que em breve o prostrou no tumulo. Esgotados todos os recursos da ciência para debelar aquele mal, os médicos lhe aconselharam o clima da Madeira, e obtendo para isso a necessária licença por aviso do 1º de abril de 1805, empreendeu a viagem, mas em lugar das melhoras que esperava, piorou repentinamente, vindo a falecer pouco tempo depois.

Além dos quadros já citados, mencionaremos os seguintes: S. Sebastião, que se conservava na galeria do marquês de Borba; uma Saloia, de capa e lenço na cabeça, que pertencia à casa dos condes de Anadia; o esboceto a óleo do quadro Viriato que pertenceu a Silva Oeirense, e O Amor, que estava na casa dos condes de Anadia, e que Bartholozzi reproduziu pela gravura, e mais duas paisagens que pertenceram a António Ribeiro Neves e Joaquim Pedro Celestino Soares. Na capela da ordem terceira de S. Francisco do Porto há quatro quadros representando: Santa Margarida; Nossa Senhora da Conceição, Santa Isabel e S. Luís, rei de França. No museu do Porto também de Vieira um Cristo crucificado, um S. João, a Adoração do Santíssimo, e duas belas paisagens, das quais uma representa Uma mulher com um menino, que parece defender do ataque dalguns malfeitores. 

Francisco Vieira falava com facilidade as principais línguas da Europa, e conhecia perfeitamente a historia das belas artes. Em 1906 comemorou-se no Porto o centenário de Francisco Vieira, fazendo-se uma exposição das suas obras no salão nobre do teatro de S. João, a qual se inaugurou no dia 17 de junho. Foi a Sociedade das Belas Artes que tomou a iniciativa desta comemoração, e conseguiu reunir para o seu intento uma boa porção de quadros, desenhos, esboços e gravuras de Vieira Portuense. Nesta exposição figuraram também algumas gravuras notáveis de Bartholozzi de desenhos de Vieira.

Biografia retirada daqui






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